Mulher a definição mulher casamento

Opiniões e indagações de um esquerdista sobre o anarcocapitalismo/libertarianismo após ler o manifesto libertário de Rothbard

2020.04.08 21:19 Canonice14 Opiniões e indagações de um esquerdista sobre o anarcocapitalismo/libertarianismo após ler o manifesto libertário de Rothbard

Oi libertários do reddit. Sou um esquerdista, me considero um liberal do campo da esquerda. Meus autores preferidos são John Stuart Mill com seu livro ''sobre a liberdade'', Thomas Paine com ''Justiça Agrária'' e ,confesso, também gosto de pensadores anarquistas como Bakunin. Resolvi, por curiosidade, estudar um pouco sobre o pensamento anarcocapitalista, que para mim parecia uma aberração. Ora, para os ''anarcocomunistas'' o capitalismo gera necessariamente desigualdade financeira, o que leva a desigualdade social, e por fim o surgimento de um grupo dominante e um dominado. O grupo dominante cria o Estado para manter o poder e suas posses. Então o Estado e o capitalismo seriam somente formas de manter o poder de uma classe sobre outra, segundo essa visão. O que torna contraditório a ideia de um mundo capitalista sem Estado, o que me fez ir entender o que era esse maldito anarcocapitalismo que era tão crescente na internet.
Conversei com libertários que me recomendaram o manifesto libertário de Rothbard para entender os princípios e bases dessa moral ética e política.
Li as primeiras 40 páginas do livro e comecei a achar a ideia bem fundamentada e interessante (o livro é muito bom!). Mas também me senti incomodado com as bases doutrinárias e princípios absolutos que formam o Libertarianismo, como o próprio autor defende:
''o libertário “absolutista”. Dedicado à justiça e à consistência lógica, o libertário dos direitos naturais admite tranquilamente que é “doutrinário”, que é, em suma, um seguidor impassível de suas próprias doutrinas. ''
Bem, o princípio absoluto é a não agressão a uma pessoa ou a sua propriedade (um princípio bem semelhante ao que Stuart Mill defendia, mas o de Stuart era mais específico e detalhado)
''O credo libertário está baseado num axioma central: o de que nenhum homem ou grupo de homens pode cometer uma agressão contra a pessoa ou a propriedade de qualquer outro.''
Então, por esse princípio o Estado é ilegítimo pois faz uma agressão à propriedade das pessoas (quando tira o dinheiro delas por meio dos impostos) e às próprias pessoas (quando impede o uso de maconha ou o casamento homossexual). E esse princípio é baseado nos direitos naturais, e na constatação que é a natureza do homem fazer suas próprias escolhas sem interferência de ninguém (novamente muito semelhante a Stuart Mill, mas Stuart faz essa constatação por vias utilitaristas).
Sim, é um bom princípio. Mas por ser absoluto significa que não existem exceções a ele, e que em qualquer caso esse princípio deve ser adotado. Eu acho, como um bom esquerdista, que é um princípio válido quando se abre espaço para a relativização. Existem situações em que esse princípio é falho, e vou expor algumas:
- Criação dos filhos: Ninguém nega que um menor de idade seja um indivíduo, com gostos pessoais, opiniões e visão de mundo própria. Na criação de uma criança é por vezes necessário aos pais impor limites e proibir comportamentos. Como "Você não pode ir em tal festa!'' ou ''Você tem que estudar" , e se a criança desobedecer ou ser mal criada é comum por ela de castigo. Quando os pais proíbem a criança ou prendem ela de castigo estão necessariamente agredindo sua liberdade de escolha ou liberdade de movimento. Mas nesse caso isso é justo e correto, pois um menor de idade deve passar por um aprendizado. Então se vc concorda que pais devam educar seus filhos, vc já concorda que o princípio não é absoluto, já que não vale para crianças. E quem define quando uma pessoa é adulta? Antigamente com 14 ou 15 anos as mulheres já se casavam e os homens já trabalhavam. Mas o Estado e a discussão sobre a importância da infância levou a definição de até 18 anos como menor de idade.
- Crimes hediondos: É justo e correto impedir que um estuprador ou assassino continue solto entre as pessoas. Por isso agredir a liberdade de movimento desses indivíduos é algo correto.
- Função social da terra e de propriedades: Sou de uma cidade chamada Dracena. Aqui é a terra do Edu Dracena, jogador de futebol. Ele comprou quase todos os prédios do centro da cidade ( é uma cidade pequena), se ele resolvesse deixar os prédios parados e fechados a cidade morreria. Então é justo e correto forçar a utilização desses móveis. Assim como é justo forçar o fazendeiro a produzir, pois a terra é a fonte de nossos alimentos.
O que vcs acham desses assuntos? Seria legal ouvir a opinião de vcs, obrigado por lerem! : )
submitted by Canonice14 to Libertarianismo [link] [comments]


2019.08.29 02:17 ederalk 50 motivos de porque a homossexualidade não é pecado

Um dos temas mais atuais e controversos, daqueles que mais instiga de ódio a defesa, na política, na moral, e na religião, que transpõe fronteiras terrenas e temporais: a homoafetividade! É sabido que teologia cristã atual põe a homossexualidade no pedestal mais alto das mais "abomináveis práticas humanas". Respeitosamente, a instigação aqui esmiuçada busca um ceticismo ao fundamentalisto religioso atual e questiona: e se não for pecado? E se nunca foi um pecado? Mais um berrante erro histórico da Igreja? Boa leitura.
50 motivos de porque a homossexualidade não é pecado
  1. Se nascer homossexual é pecado, logo, ele já está condenado ao inferno, pois é impossível deixar de ser homossexual, pois ele o É. Logo, Deus fez acepção de pessoas. Eles nem tiveram a chance de serem salvos. Porém, Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34)
  2. Se apenas a prática homossexual é pecado, mas não o desejo, logo Deus colocou o desejo nesses homens para os tentarem a pecar o tempo todo, mas afirmar isso é antibiblico, pois Deus não tenta ninguém (Tiago 1:12-20);
  3. Se o desejo não foi posto por Deus, pode ter vindo de Satanás, logo ele tem o poder sobre a libido humana, assim ele tem poder de fazer qualquer hétero virar gay, ou um gay virar hétero, outra coisa impossível. Ele já teria o feito a todos os homens;
  4. Se a homossexualidade é adquirida por comportamento, logo, é aprendida. Mas sabemos que: 1) gays nascem de casais héteros; 2) muitos sociedades desencorajam e perseguem a homossexualidade, mas isso não impede que ela continue existindo nelas; 3) todas sociedades em todas as épocas, das civilizações europeias e asiáticas as tribos indígenas e polinésias foi observado a presença da homossexualidade; 4) animais também, naturalmente, podem ser homossexuais, em mais 1500 espécies relatadas (Ec 3:19); 5) os héteros não afirmam que adquiriram a sua libido por comportamento, porque seria diferente com o homossexual?
  5. De forma direta e literal, não há nenhuma condenação as lésbicas na Bíblia; logo, o desejo lésbico seria natural, da criação humana. Se assim for, o desejo pelo sexo oposto seria inato, tanto em homens como mulheres, chegando a mesma conclusão que Deus estaria tentando apenas aos homens gays entre todas as sexualidades, algo antibiblico; a Bíblia também não explica a complexidade do bissexualismo em todas em suas nuances: um bissexual poderia se casar com uma mulher?
  6. Deus, de fato nunca muda, mas pode mudar o homem: Gênesis 6 nos relata o mundo antes do Dilúvio: havia gigantes na Terra, anjos faziam sexo com as mulheres e os homens viviam centenas e centenas de anos. Adão viveu 930 anos! Homens tinham filhos aos 187 anos nessa época (Gn 5:25)! No versículo 3, Deus, aparentemente, muda o homem para viver no máximo 120 anos, afim de evitar uma superpopulação mundial. (Algumas interpretações dizem que é 120 anos para acontecer o dilúvio). Mas o fato é que desde de Gênesis 11, a expectativa de vida humana se abrevia radicalmente. Ou seja, provavelmente, Deus mudou a anatomia humana: um corpo que vive 930 anos não é igual a um corpo que vive 100 anos; Deus precisaria alterar células, órgãos e tecidos! Por que Deus também não interferiria na libido humana, a fim de evitar um superpovoamento? Será que Jesus desencorajou a poligamia em Mateus 19:4-5, que era tão comum no Antigo Testamento (Gn 4:19) também preocupado com o crescimento da população humana?;
  7. É comum dizer que Jesus esteve em silêncio acerca da homoafetividade, o que não aconteceu: Mateus 19 é um diálogo em que Cristo trata acerca do casamento. Em Mateus 19:11, Jesus afirma que nem todos os homens tem a condição de seguir a ordenança do casamento heterossexual, dada por Deus em Gênesis; o único pré-requisito possível para tal condição seria ter atração por mulheres: se o homem a tiver, case, para não cair em tentação (1 Co 7:1-2; 7:26-27); se não a tiver ou a perder durante a vida, está livre da ordenança do casamento com uma mulher; se tiver, mas se desejar ser celibatário pelo Reino de Deus, é uma escolha pessoal (Mateus 19:12); logo, nascer homossexual é uma condição inata, não algo fruto do pecado ou um desvio comportamental;
  8. Pode-se argumentar contra afirmando que Jesus utilizou a palavra eunuco nesse trecho de forma literal – como se‘’eunucos’’ se referisse apenas aos homens castrados; porém, dois fatos derrubam tal argumento: 1) Jesus fala acerca de três tipos de “eunucos”, revelando que estamos diante de um termo bastante amplo para a época; 2) Jesus usou “eunuco” de forma figurada para se referir aos celibatários no “terceiro eunuco”; se Jesus utilizou uma figura de linguagem num trecho da sentença, pode-se ter utilizado em outra, como no trecho “eunucos de nascença”;
  9. Também há uma contradição em afirmar que alguém nasce ‘’castrado’’, ‘’eunuco’’ de forma literal. Oras, é necessário possuir suas genitálias de antemão para serem removidas e assim, se tornar um castrado; é impossível alguém nascer castrado! Como e por quê se castraria um feto no ventre da mãe? Já ser um “eunuco” posteriormente, ao remover seus testículos, sem a produção de testosterona, o homem perde a libido, o impedido de se casar, encaixando no critério do segundo eunuco;
  10. Pressupondo que os ‘’eunucos de nascença’’ são apenas os deficientes congênitos, e se a Bíblia liberasse qualquer deficiente de nascença com atração por mulher da ordenança do casamento, logo, eles teriam obrigatoriamente a serem castos a vida toda para não cair em tentação, pois, se um deficiente tem atração sexual por mulher, eles também ficariam com várias mulheres ao longo da vida fora de um casamento para sanar sua libido, pois se for com apenas uma mulher, melhor que se case com ela também! Não há lógica. Outra dificuldade seria definir o que é um ‘’deficiente de nascença’’: um anão seria? Ou um hermafrodita? Isso abriria brechas para proibir o casamento de muitas pessoas; cegueira ou infertilidade, por exemplo, impedem homens de se atrair ou de querer se casar com uma mulher?
  11. Se considerarmos apenas os assexuados como os ''eunucos de nascença'', esse texto afirmaria que a libido humana ou a sua ausência é uma condição dada apenas por Deus aos homens desde o seu nascimento. Logo, se for pecado ser gay, ele está o tentando, algo antibiblico;
  12. Se afirmar que apenas a assexualidade é uma condição dada por Deus, logo, a própria libido seria uma escolha, incluindo a libido do heterossexual, algo também impossível; como Adão teria aprendido a se atrair por Eva?
  13. Em Romanos, carta escrita por Paulo, há o trecho mais usado como “antigay” na Bíblia; é importante lembrar que o próprio apóstolo Pedro afirmou que as epístolas de Paulo às vezes tinham ‘’trechos difíceis de entender’’, em que ‘’ indoutos e inconstantes torcem” (2 Pedro 3:16); se eram trechos difíceis de se entender na época para um apóstolo, imagine 2.000 anos depois para nós! Romanos 1:26-27 pode ser um desses trechos a que Pedro se referiu;
  14. Se usarmos Romanos 1:26 para condenar as lésbicas, foi usada uma figura de linguagem para tal, já que não sabemos ao certo, que ''uso natural'' é esse que elas mudaram; isso não é explícito;
  15. Se Paulo se referiu as lésbicas nesse trecho, de forma figurativa, ou seja, fez uso de figuras de linguagem para se referir as mulheres, logo, "semelhantemente", ele também pode ter usado para se referir aos homens; logo, homens nesse trecho necessariamente não precisam se referiam a homossexuais, ficando vago sua definição, sendo necessário avaliar o contexto;
  16. O tema do contexto de Romanos 1:23-28 é a idolatria praticada pelos romanos, em que nos cultos pagãos, é sabido que homens heterossexuais praticavam sexo homogenitais com outros homens nos ritos orgásticos; a idolatria é um dos temas centrais do capítulo e isso fica evidente pelos versículos 23 a 25. O Versículo 26 inicia-se com a expressão “por isso”, ou seja, o que está explícito a partir desse ponto é o resultado das ações humanas descritas nos versos anteriores;
  17. Em Levítico 18:22, outro versículo largamente usado como antigay, diz que homem deitar com homem, como se fosse mulher é uma abominação; a palavra abominação vem do hebraico toevah ou do grego bdelygma, ambos significam "impureza" ou "ofensa ritual", logo, o tema de Levitico 18 também é idolatria, assim como Romanos 1;
  18. Abominação, no antigo testamento, é largamente usado para se referir a práticas de idolatria, como consultas a necromantes, feiticeiros, adivinhadores e prognosticadores (Deuteronômio 18.10-12); o sacrifício de animais defeituosos (Deuteronômio 17.1); adorar imagens (Deuteronômio 7.25); a queima de incensos (Jeremias 44:4-6); a prostituição cultual, sacrifício de crianças e fazer imagens de ouro e prata (Ezequiel 16); deve-se sempre enfatizar que a Bíblia não foi escrita em nosso idioma, e a etimologia das palavras podem mudar ao longo da história;
  19. Levítico fala de sacrifício de crianças a deus Moloque um versículo anterior ao 22 (Lev 18:21), logo, reforça que o tema do capítulo 18 de Levitico é a idolatria e práticas pagãs;
  20. Levítico 18:3 proíbe seguir os ‘’estatutos do Egito e dos cananeus’’, novamente comprovando que o tema central aqui é idolatria; em Ezequiel 18:9 o Senhor diz que quem andar nos ‘’meus estatutos, e guardar os meus juízos, e proceder segundo a verdade, o tal justo certamente viverá’’, distinguindo a palavra estatuto; mais adiante, no verso 12, diz ‘’levantar os seus olhos para os ídolos, e cometer abominação’’, reforçando o significado principal de abominação na Bíblia para coisas idólatras;
  21. A presença na frase da expressão ‘’como uma mulher’’ em Lev. 18:22 pode ser interpretado como homens que abandonam sua condição natural, hétero, para deitar-se com outros homens, pela imposição do culto religioso; gays não se deitam com homens como se fossem mulheres;
  22. Faz sentido nesses versículos se referirem a homens heterossexuais praticando atos homogenitais entre si, pois ao se referirem a rituais pagãos, é certo que havia muitos homens héteros que participavam desses cultos, já que eles eram públicos; assim como as mulheres que sacrificavam seus filhos aos deuses, certamente, ambas práticas eram sacrifícios extremamente vergonhosos e nada agradáveis para agradar aos seus deuses; se a maioria dos homens dessas sociedades pagãs eram gays, como repunham a população sem novos nascituros? É sabido que os egípcios chegava a milhões de súditos (1 a 8 milhões de pessoas);
  23. Se levarmos esse versículo de Levítico literalmente ao pé da letra, logo, apenas ‘’deitar’’ com outro homem é pecado. Beijar, desejar, namorar, se afeiçoar, pegar na mão, ou até o sexo em pé, sem estar deitado, estaria liberado aos gays, sem configurar pecados?;;
  24. Se levarmos no sentido figurado, logo, pode não se tratar de relações homoafetivas tradicionais nesses versos; "homem" pode ser referir a homens héteros unicamente, não aos gays, já que até os dias de hoje é comum confundir sexualidade com gênero, podendo certamente acontecer o mesmo na época; em resumo, gays poderiam não ser considerados homens na época como acontece muito hoje;
  25. Levítico 20 trata acerca das penas de diversos crimes anteriormente ditos nos capítulos anteriores; está escrito no verso 18 que a acaso um homem se deitar com outro homem como com mulher, ''certamente morrerão''. Há uma ambiguidade aqui: é uma consequência do ato ou uma ordem de execução? Se for uma consequência, sabemos que isso não acontece, senão estaria acontecendo um genocídio gay nesse momento; nesse versículo também usa-se a palavra ‘’abominação’’, que como se sabe, significa na Bíblia ‘’impureza ritual’’;
  26. Em Levítico 20, do versículo 2 ao 5 é novamente sobre a sacrifícios de crianças a Moloque, o 6 sobre adivinhadores e encantadores, 8 e 22 fala sobre ‘’estatutos’’, o 23 exorta a não andar nos costumes de nações pagãs e o 27 sobre necromancia ou espírito de adivinhação; ou seja, aqui se confirma as práticas idólatras do capítulo 18;
  27. 1 Coríntios 6:9:20, outra passagem comumente dita ser ''anti-gay'', se usa duas palavras intraduzíveis para nosso tempo: malakoi e arsenokoitai, e ao longo da história, foram traduzidas de muitas maneiras diferentes;
  28. Paulo utilizou essas duas palavras numa mesma lista de pecados, de forma seguida; que sentido teria ele de repetir o mesmo suposto pecado duas vezes seguidas, na mesma lista? As cartas Paulinas não eram escritas de forma coloquial ou informal, mas bastantes formais e escritas várias e várias cópias (Romanos 16:22), revelando se tratar de textos oficiais e bastante difundidas;
  29. Malakoi já foi traduzido como: "depravados", "pervertidos", "efeminados", "efebos", "meninos prostitutos", "masturbadores", "pusilânime", o que já torna a palavra intraduzível de forma fiel atualmente, por se tratar de traduções bastante diferentes, revelando a dificuldade de entender seu real significado;
  30. Efeminado, uma tradução mais comum atualmente para malakoi, no dicionário de línguas portuguesa de Cândido de Figueiredo, de 1913, significa ''ser mulherengo'', algo bem diferente de ser gay;
  31. Efeminado é um termo que atualmente é mais usado para indivíduos com trejeitos femininos; porém, um afeminado não necessariamente é gay; é sabido que existem héteros afeminados, assim como gays másculos; o másculo iriam ser salvo, mas héteros afeminados não? Outra dificuldade é que ser afeminado ou masculino muda constantemente de época para época: homens aristocratas, por exemplo, no século XVIII, para afirmar sua masculinidade, usavam salto alto, maquiagem e perucas;
  32. Arsenokoitai foi uma palavra inventada por Paulo, usando neologismo, e até hoje não se sabe ao certo o que ele queria dizer com arsenokoitai; essa palavra só foi usada duas vezes em toda história da literatura, dificultando ainda mais seu entendimento; a tradução mais comum atualmente é sodomita, palavra extremante alterada em seu significado ao longo da história;
  33. A palavra “sodomita”, por séculos significava perverso; porém, Tomás de Aquino, por volta do século XII, na sua obra Suma teológica, reformulou a palavra “sodomia” para abranger as ‘’imoralidades sexuais’’, que abarcavam uma enorme quantidade práticas, que ia da bestialidade ao sexo anal;
  34. Em nenhum momento, a Bíblia afirma que Sodoma e Gomorra caíram por causa da homossexualidade; ao contrário, o próprio Jesus, em Mateus 10:15, reforça que o principal pecado dos sodomitas foi a falta de hospitalidade; Deus afirmou que destruiria Sodoma somente se não achasse nenhum justo na cidade; apenas 10 justos já seriam suficientes para Deus poupar seus moradores (Genesis 18:32); se o pecado de Sodoma e Gomorra fosse a homossexualidad de seus moradores,, como a cidade poderia existir constantemente se não haviam nascimentos de relações heterossexuais?
  35. Somente algumas versões modernas da Bíblia, covardemente, começaram a traduzir como homossexual passivo e homossexual ativo as palavras”malakoi” e “arsenokotai”; porém, é fato que não existe a palavra homossexual na Bíblia, que não existe nenhuma palavra que seja usada para se referir a gay unicamente na Bíblia, exceto ‘’eunucos de nascença’’, proferida por Jesus;
  36. Jesus nos alertou intensamente acerca dos fariseus, mas também dos escribas, que escrevem e traduzem as Escrituras (Mateus 23);
  37. Jesus nunca poupou as palavras parar denunciar as transgressões do mundo: adultério, prostituição, matar, heresia, roubar, a falta de amor, a blasfêmia, mentir, não perdoar etc. Por que ele nunca condenou veementemente do ‘’pecado abominável e terrível” da homossexualidade?
  38. A Judéia, na época de Jesus, era parte do Império Romano, império em que a prática homossexual era extremamente comum e aceitável; ou seja, existia gays na época convivendo com Jesus; por que Jesus nunca “curou” algum?
  39. Como os 3 versículos ‘’anti-gays’’ da Bíblia, Romanos 1:26-27, Levítico 18:22 e I Coríntios 6:10, são, á luz da hermenêutica, refutados, ou no mínimo, duvidosos, fica claro que toda condição humana que, de nascença, impeça um homem de se atrair por uma mulher, está livre da ordenança do casamento segundo o próprio Cristo Jesus: homossexuais, transsexuais e assexuados.
  40. Paulo, ao falar sobre o casamento em 1 Coríntios 7, sobre a virgindade, as viúvas e os solteiros, ele não faz menção direta aos homossexuais; mas diz no verso 7: ‘’Porquanto gostaria que todos os homens estivessem na mesma condição em que eu vivo, contudo, cada ser humano tem seu próprio dom da parte de Deus; um de determinado modo, outro de forma diferente.’’, podendo ser uma interpretação de Paulo ao que Jesus disse em Mateus 19;
  41. Um termo importantíssimo para se referir a vida sexual humana na Bíblia é porneia, um termo grego traduzido principalmente de 3 formas diferentes na Bíblia: prostituição, fornicação e imoralidade sexual; os 3 termos são muitos diferentes entre si, logo, há confusão nas traduções; muitos argumentam que homossexualidade também entraria como ‘’imoralidade sexual’’, mas não há nada na Biblia dizendo ‘’homem se relacionar com homem é porneia’; e o termo porneia não aparece na carta aos Romanos;
  42. Jesus disse em Mateus 15:19: ‘’Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, porneia, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. Logo, porneia não significaria adultério, senão, Jesus estaria falando a mesma coisa seguida duas vezes na mesma frase! E imoralidade sexual é um termo muito amplo que também abrangeria o adultério, logo, porneia não pode significar tal adultério;
  43. Atualmente, usa-se ‘’fornicação’’ para designar qualquer prática sexual fora do casamento, logo, também abrangeria o adultério; assim, porneia também não pode significar tal termo, considerando a frase de Jesus na época;
  44. Assim, a melhor tradução para porneia seria prostituição, que é a comercialização do sexo; e mesmo usando ‘’fornicação’’ como tradução de porneia, o seu melhor significado também seria a ‘prostituição’: ‘’Fornice’’ era o arco da porta sob a qual as prostitutas romanas se exibiam. Jesus viveu na Judeia na época que fazia parte do Império Romano. E é maior a chance dos evangelhos tenha sido escritos em grego.
  45. Antigas Bíblias referem ao 6º Mandamento como "Não Fornicar", coisa que depois foi alterada pelos reformadores conservadores para "Não Adulterar", que já tem outro significado. Isso reforça a confusão desses termos ao longo da história;
  46. Paulo usa porneia em 1Co 6.18. Mas basta ler o contexto, que se perceberá que ele fala acerca da prostituição especificamente: ‘’Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz (ou prostituta)? Não, por certo. Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne. (...) Fugi da porneia (...)’’; com essas conclusões, usar porneia como ”imoralidade sexual” pode apresentar como uma expressão ampla e controversa, suscetível a variadas interpretações ao longo do tempo; já utilizar “prostituição” torna o termo conciso;
  47. No Novo Testamento, há várias menções em que as leis do Antigo Testamento foram abolidas, pois Jesus já cumpriu todas elas em nosso lugar. (Hebreus 7:18-19; Atos 15:23-29; Gálatas 5:3; Filipenses 3:7-8); Jesus ao cumprir toda a lei por nós, ela foi passada (Mt 5:17-18). Logo, isso aboliria as leis de Levítico, acaso elas se referissem aos homossexuais; Atos 15 relata que a discussão acerca da validade do Antigo Testamento para os cristões acompanhou a Igreja desde o início: judeus convertidos contendiam-se com os gentios convertidos, dizendo que ‘’os circuncidados não serão salvos’’; a Igreja então fez o primeiro concílio de sua história e decidiu: ‘’Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá. (Atos 15:28,29); logo, as únicas leis dadas pelo espírito santo e os apóstolos a igreja seriam não idolatrar e realizar sacrifícios e não se prostituir;
  48. Há pesquisas historiográficas confiáveis que afirma que a Igreja primitiva realizava casamentos entre homens. Esses estudos são principalmente do importante historiador John Boswell; essa mudança radical da igreja aconteceu bem posteriormente, quando a Igreja Católica Medieval passou a considerar o sexo apenas para procriação, condenando assim também a homoafetividade; padres católicos chegaram a ter a ideia do sexo como sujo e maligno; porém, em nenhum local da Bíblia afirma categoricamente que o sexo é apenas para procriação; Paulo chega a afirmar que os casais não se recusem um ao outro, exceto por consenso mútuo no período de oração ou jejum, para não cairem em tentação (1 Co. 7:5); ou seja, quanto ao sexo, a Bíblia é enfática em condenar apenas o adultério e a prostituição;
  49. Quem afirma que sexo é somente para procriação usa justamente as passagens com a expressão “imoralidade sexual”, que como já foi dita, provém de uma palavra que significa prostituição, unicamente. A Bíblia não explícita o que é imoral no sexo consensual e amoroso; outra dificuldade em afirmar que o sexo é apenas para procriação seria a presença da forte excitação sexual no ato: se é apenas para ter filhos, por que Deus colocaria o prazer no sexo? A presença da clitóris na mulher também evidencia que o sexo não é somente para procriação, já que esse é o único órgão cuja função é unicamente dá prazer a mulher. Sua ausência não impede em nada a reprodução humana. Deus novamente estaria tentando o homem e a mulher a pecarem, ao dar prazer ao ato sexual, e claro, como dito, Deus não tenta o homem!
  50. A Igreja já perseguiu muitos grupos humanos na história usando versículos isolados e fora de contexto: curandeiras, negros, cientistas, ciganos, chegando ao ponto de perseguir e condenar a morte na fogueira até mesmo os canhotos, somente porque está escrito na Bíblia que a mão direita é divina! Nada impede que a interpretação atual acerca da homossexualidade também esteja extremamente equivocada e distorcida.
Por favor, se estiver algum motivo errado, refute-o, dizendo o número do motivo e contra-argumente, usando sempre a PALAVRA DE DEUS e fatos históricos, não a sua opinião ou a opinião do seu líder. Use textos coerentes da Bíblia e nunca fora do seu contexto. Nada de versículos isolados. Use a hermenêutica, a forma correta de ler a Bíblia. Não adianta me atacar, só prova que você não tem argumento suficiente, mas ataque o argumento! Não adianta só dizer que é pecado; prove, usando a BÍBLIA!
submitted by ederalk to brasilivre [link] [comments]


2019.06.27 08:56 altovaliriano O Trono de Ferro sem gênero e o impacto efêmero do Grande Conselho de 101 DC

Texto original: https://bit.ly/2X5ruWC
Autor: @clintw (advogado licenciado no estado da California, EUA, especializado na defesa do consumidor)

Introdução / Tese

Em Game of Thrones, no universo do show, a questão de se é possível para uma mulher sentar no Trono de Ferro está bem consolidada. Cersei Lannister, a Primeira de seu nome, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, e Protetora do Reino, sentou-se no Trono de Ferro por quase 3 anos (de tempo real) desde a abdicação do Rei Tommen. Embora muitos súditos da Rainha Cersei estejam um pouco irritados com isso, as realidades de quem atualmente detém o poder em Westeros tornam possível, se não esmagadoramente provável, que o sucessor de Cersei também seja mulher. Assim, podemos dizer que no universo do show o teto de vidro (de dragão?) foi completamente quebrado.
Mas e o universo dos livros A Song of Ice and Fire? Na Westeros do livro, Cersei ainda não teve sua ascendência, Daenerys ainda está enredada em seu nó de Meereenês, e Sansa está apenas começando a reunir suas forças no Vale. É lícito que um desses governantes capazes se declare #ForTheThrone? A maioria dos westerosis acredita que é ilegal uma mulher governar.
A maioria dos Westerosis está errada.
"Aos olhos de muitos, o Grande Conselho de 101 d.C. estabeleceu um precedente de ferro nos assuntos de sucessão:independentemente da antiguidade, o Trono de Ferro de Westeros não podia passar para uma mulher, nem por meio de uma mulher para seus descendentes masculinos" (TWOIAF, Os Reis Targaryen, Jaehaerys I)
Convocado por ordem do Conciliador, Rei Jaehaerys, para resolver a questão de sua própria sucessão, o Grande Conselho de 101 DC escolheu o Príncipe Viserys, em detrimento do Príncipe Laenor, como o herdeiro de Jaehaerys I, em parte porque Viserys descendeu da linhagem masculina enquanto que Laenor descendeu de uma linha feminina. A decisão final tomada por este primeiro Grande Conselho levou muitas pessoas, tanto em Westeros quanto no fandom, a argumentar que o resultado do Grande Conselho transmitiu uma espécie de precedente legal ao Trono de Ferro: que a linha masculina deve SEMPRE herdar antes da linha feminina. No entanto, este argumento não abarca várias coisas sobre o Grande Conselho e sua decisão, incluindo, mas não necessariamente se limitando a: a natureza da decisão em si, a teoria do direito e a natureza do precedente tanto em Westeros quanto no mundo real.
Neste ensaio, demonstrarei que:
  1. O Grande Conselho de 101 AC era uma assembléia legislativa, não uma corte judicial;
  2. Isso porque a decisão que o Grande Conselho de 101 AC fez foi uma decisão legislativa, não confere nenhum poder de precedente; e
  3. Que o modo de aplicação da lei em Westeros não permite uma leitura no sentido de que o Grande Conselho de 101 AC alterou fundamentalmente as regras de herança do Trono de Ferro.

Contexto Factual Relevante

Em 101 DC, Rei Jaehaerys I era realmente muito velho. Quando o primeiro filho e herdeiro de Jaehaerys, Aemon Targaryen, morreu cerca de 10 anos antes, o rei nomeou seu terceiro filho Baelon como herdeiro. Ao fazê-lo, ele passou por cima de sua neta Rhaenys (presumivelmente, mas não explicitamente) porque Rhaenys era uma mulher e Baelon era um homem. A esposa de Jaehaerys, a rainha Alysanne, estava furiosa porque acreditava que o sexo de Rhaenys não deveria impedi-la de herdar o trono. Ocorre que Baelon morreu muito tragicamente, deixando o reino sem um herdeiro reconhecido.
Em 101 DC, Jaehaerys sabia que ele não tinha muito tempo de sobra. Embora a maioria de seus filhos estivesse morta a esta altura, muitos tiveram seus próprios filhos e, como resultado, Jaehaerys estava um pouco em apuros no que se referia a quem deveria sucedê-lo como monarca dos Sete Reinos.
Por uma questão de brevidade, vou pular as dezenas de possibilidades disponíveis, para concentrar-me nos dois principais candidatos entre os quais Jaehaerys teve que fazer uma escolha:

1 - Viserys Targaryen, seu neto (24 anos)
2 - Laenor Velaryon, seu bisneto (7 anos)

No ano 101 DC, a Casa Velaryon era uma das casas mais ricas e poderosas de Westeros, e eles começaram a reunir forças para forçar a reivindicação de Laenor. Para evitar uma possível guerra civil entre essas facções, Jaehaerys decidiu convocar um Grande Conselho com Senhores de toda a Westeros “para discutir, debater e decidir a questão da sucessão”. Vide Fogo & Sangue - Herdeiros do dragão: uma questão de sucessão.
Esta foi uma sábia decisão política da parte de Jaehaerys. Delegar a decisão permitiu-lhe evitar qualquer ramificação de facções rivais de quem quer que o Conselho escolhesse, porque ele poderia por a culpa da decisão sobre os Senhores de Westeros. Isso também significava que ele evitaria deixar Alysanne irritada, ao, mais uma vez, explicitamente favorecer sua linha masculina em detrimento de sua linha feminina.
É importante notar que a tarefa de Jaehaerys para o Grande Conselho foi escolher seu herdeiro. Em condições normais, esta tarefa seria do rei, mas ele escolheu, neste caso, delegar este poder ao Grande Conselho. O que ele não fez (e não poderia fazer) foi delegar ao Grande Conselho o poder de escolher todos os herdeiros de todos os tempos.
Em todo caso, o Grande Conselho se reuniu por 13 dias em Harrenhal. Eles discutiram e dispensaram 9 requerentes menos importantes por razões tão variadas quanto:
"As reinvidicações fracas de nove concorrentes menores foram avaliadas e descartadas (um deles, um cavaleiro andante que se apresentou como filho natural do próprio rei Jaehaerys, foi capturado e aprisionado quando o rei o expôs como mentiroso). O arquimeistre Vaegon foi descartado por causa dos votos e a princesa Rhaenys e a filha por causa do sexo" - Fogo & Sangue - Herdeiros do dragão: uma questão de sucessão.
Observe novamente que, embora alguns desses requerentes fossem descontados pelo Grande Conselho por causa de seu sexo, essa não era a única consideração do Conselho. Vaegon, que teria tido uma reivindicação muito forte na ausência de seus votos de maestria, foi descontado como resultado de ele adotou a corrente, mostrando que o Grande Conselho valorizava a praticidade da escolha não apenas se o pretendente era homem ou mulher.
Com o descarte dessas alegações menores, os Lordes também consideraram os vários pontos fortes e fracos dos dois principais demandantes.
"...restando os dois reclamantes com mais apoio: Viserys Targaryen, filho mais velho do príncipe Baelon com a princesa Alyssa, e Laenor Velaryon, filho da princesa Rhaenys e neto do príncipe Aemon. Viserys era neto do Velho Rei, Laenor, seu bisneto. O princípio da primogenitura favorecia Laenor, o princípio da proximidade favorecia Viserys. Viserys também foi o último Targaryen a montar em Balerion… embora, depois da morte do Terror Negro em 94 DC ele nunca tenha montado em outro dragão, enquanto o garoto Laenor ainda não havia feito seu primeiro voo em seu jovem dragão, um animal esplêndido cinza e branco chamado Fumaresia. Mas a reivindicação de Viserys derivava do pai, a de Laenor, da mãe, e a maioria dos senhores achava que a linhagem masculina devia ter precedência sobre a feminina. Além do mais, Viserys era um homem de vinte e quatro anos, Laenor um garoto de sete. Por todos esses motivos, a reivindicação de Laenor era vista como a mais fraca, mas a mãe e o pai do menino eram figuras tão poderosas e influentes que não pôde ser totalmente descartada.
...
Embora o senhor e a senhora Velaryon fossem eloquentes e generosos nos esforços em nome do filho, a decisão do Grande Conselho nunca foi questionada. Com uma grande margem de diferença, os senhores reunidos escolheram Viserys Targaryen como herdeiro legítimo do Trono de Ferro. Apesar de os meistres que contaram os votos nunca terem revelado os números, diziam depois que a votação fora de mais de vinte contra um." - Fogo & Sangue - Herdeiros do dragão: uma questão de sucessão.
Essa decisão do Grande Conselho dos Lordes conferiu um precedente duradouro ou simplesmente escolheu um herdeiro conveniente e prático? O texto não menciona nenhuma intenção precedencial por parte do Conselho. Em contraste, o texto enfatiza que, embora o fato da reivindicação de Viserys derivar da linha masculina fosse uma consideração importante, essa não era a única consideração importante. Outras considerações incluíam: a diferença de idade, a proximidade em relação a Jaehaerys e também a capacidade de cavalgar dragões para perpetuar a Dracocracia que os Targaryens estabeleceram em Westeros.
Não obstante, a decisão de escolher Viserys sobre Laenor foi tomada de maneira assimétrica pelo Grande Conselho. Ademais, Jaehaerys por fim ratificou essa decisão, aceitando-a, e nomeando Viserys como seu herdeiro. Devido à ratificação da decisão pelo Antigo Rei, não pode haver debate que a escolha final feita pelo Grande Conselho de 101 AC tenha força de lei. Mas a questão de se isso criou um precedente duradouro requer um estudo sobre o tipo de lei que foi feito naquele ano em Harrenhal. Foi uma lei que apenas afetou Jaehaerys, Viserys e o pobre Laenor? Ou era uma lei precedencial que vincularia futuros pretendentes ao Trono de Ferro para as gerações vindouras?

Teoria do Direito / Padrão de Revisão

Para responder a uma questão de direito, primeiro precisamos definir nossos termos. Lembrem-se que citação do Meistre Yandel acima: "Aos olhos de muitos, o Grande Conselho de 101 d.C. estabeleceu um precedente de ferro nos assuntos de sucessão...". Vide TWOIAF, Os Reis Targaryen, Jaehaerys I. Então, o que diabos é a definição legal de um precedente?
Felizmente, as pessoas têm definido o termo "precedente" por séculos. O primeiro lugar que a maioria dos advogados procurará por uma definição legal é o "Black's Law Dictionary", um tomo pesado. Black define "precedente" como:
“Um caso julgado ou uma decisão da corte de justiça, considerada como provedora de exemplo ou autoridade para um caso idêntico ou similar que se origine posteriormente ou uma questão de direito similar. Uma minuta de escritura, acordo, testamento, petição, reclamação \bill, no original]) ou outro instrumento legal, considerado digno de servir como um padrão para futuros instrumentos da mesma natureza."
Observe que, de acordo com essa definição, para que uma decisão tenha valor precedencial, ela deve: 1) vir de um tribunal ou outra entidade judicial; 2) ter valor como um exemplo para ser usada por tribunais no futuro; e 3) tratar de uma questão de direito que possa aconteceu de novo. (Note também que “bill” neste contexto não significa um projeto de lei considerado por uma legislatura no sentido de “Eu sou apenas um projeto de lei sentado no Capitólio”; em vez disso, um “bill” legal é uma maneira antiga de dizer “reclamação”). Mas e as outras definições fora dos dicionários?
Os tribunais norte-americanos definem precedentes de maneira semelhante. Por exemplo:
“Um precedente judicial atribui uma conseqüência legal específica a um conjunto detalhado de fatos em um caso julgado ou decisão judicial, que é então considerado como provedor da regra para a determinação de um caso subseqüente envolvendo fatos materiais idênticos ou similares e surgido no mesmo tribunal. ou um tribunal inferior na hierarquia judicial" Allegheny General Hospital v. NLRB, 608 F.2d 965, 969-970 (3rd Cir. 1979).
Mais uma vez, as mesmas três características mencionadas acima existem: uma decisão judicial, que serve como exemplo, que provê a regra (também conhecida como a lei) para determinar futuros casos semelhantes.
Os Estados Unidos e outros países do Common Law também usam o termo latino “stare decisis” para se referir à noção de precedente. O Tribunal de Apelações do Nono Circuito (o Melhor Circuito) tem isto a dizer sobre a interação entre os dois:
“Stare decisis é a política do tribunal de se apoiar no precedente; o termo é apenas uma abreviação de stare decisis e non quieta movere - “estar de prontidão e seguir as decisões e não perturbar o que está resolvido”. Reflita sobre a palavra "decisis". A palavra significa, literal e legalmente, a decisão. Sob a doutrina do stare decisis, um caso é importante apenas para o que ele decide - pelo “o quê”, não pelo “por quê”, nem pelo “como”. No que diz respeito ao precedente, stare decisis é importante apenas para a decisão, para a detalhada conseqüência jurídica que sucede a um conjunto detalhado de fatos ”- United States Internal Revenue Serv. v. Osborne (In re Osborne), 76 F.3d 306, 96-1 U.S. Tax Cas. (CCH) paragr. 50, 185 (9th Cir. 1996)
Procurando uma definição de precedente mais Nascida do Ferro? Austrália tem uma para você:
“[este] é o caminho da Common Law, os juízes preferindo ir 'de caso a caso, como os antigos marinheiros do Mediterrâneo, agarrando a costa de ponta a ponta e evitando os perigos do mar aberto da sistematização ou da ciência." Perre v. Apand (1999) 198 CLR 180 (Justice McHugh)
O ponto é que, por definição, um precedente só pode ser feito por um órgão judicial e só pode ser usado para decidir uma questão de direito. O que leva à próxima pergunta: O Grande Conselho de 101 AC foi um órgão judicial?

Análise Jurídica

O Grande Conselho não era uma corte judicial, era uma assembléia legislativa. Os teóricos jurídicos, considerando a diferença entre os tipos de estruturas legais, na maioria das vezes começam com Charles-Louis de Secondat, Barão de La Brède e Montesquieu (ou Montesquieu, abreviado). Montie (ainda mais curto) foi um estudioso francês no início dos anos 1700 que escreveu o que veio a ser um texto extremamente influente sobre lei e governo chamado “De l'esprit des loix”, ou “O espírito das leis”. Nele, ele argumentou que uma separação de poderes governamentais entre diferentes pessoas ou corpos era essencial para evitar a tirania. Além disso, o tipo de separação dos poderes individuais era crucial. Montesquieu escreveu:
"Existem em cada Estado três tipos de poder: o poder legislativo, o poder executivo das coisas que dependem do direito das gentes e o poder executivo daquelas que dependem do direito civil.
Com o primeiro [Legislativo], o príncipe ou o magistrado cria leis por um tempo ou para sempre e corrige ou anula aquelas que foram feitas. Com o segundo [Executivo], ele faz a paz ou a guerra, envia ou recebe embaixadas, instaura a segurança, previne invasões. Com o terceiro [Judicial], ele castiga os crimes, ou julga as querelas dos particulares. Chamaremos a este último poder de julgar e ao outro simplesmente poder executivo do Estado." - O espírito das leis, Livro X\na verdade Livro XI, capítulo VI])
Como Montie descreve acima, a determinação feita pelo Grande Conselho de 101 AC tem muito mais em comum com uma determinação legislativa do que judicial. As características de uma determinação judicial são geralmente que a decisão tomada é imparcial e baseada nos fatos e na lei de um assunto específico. A decisão é normalmente feita por um juiz ou um júri, agindo como funcionários da justiça em um caso ou controvérsia. Outra característica de uma determinação judicial é que, no ideal, ela é independente da vontade popular. Além disso, as decisões judiciais geralmente não se baseiam apenas em considerações práticas, mas devem ser guiadas primeiro pela lei e depois pelos fatos.
A decisão do Grande Conselho não tinha nenhuma dessas características. Primeiro, claramente não era imparcial, pois muitos dos próprios demandantes ou suas facções representativas podiam votar. Por exemplo, Corlys Velaryon, pai de Laenor, votou. Segundo, o grande Conselho não era nem um juiz nem um júri decidindo quais fatos eram verdadeiros e quais fatos não eram. Terceiro, o Grande Conselho foi enfaticamente uma expressão da vontade popular.
Em contraste, uma natureza essencial de uma determinação legislativa é a falta de valor precedencial. Isto ocorre por uma boa razão: os legisladores geralmente não devem ser capazes de vincular os futuros legisladores a não mudarem as coisas se as leis que promulgarem forem ruins. A natureza mutável de uma determinação legislativa é tão crucial que Montesquieu a mencionou em sua definição de poder legislativo. (“... o príncipe ou o magistrado cria leis por um tempo ou para sempre e corrige ou anula aquelas que foram feitas...”). De fato, você vê inúmeros exemplos de legislaturas aprovando ou tentando aprovar leis para revogar ou substituir leis aprovadas por legislaturas anteriores. A tentativa frustrada do recente Congresso Republicano de revogar a Affordable Care Act é um dos exemplos proeminentes disso.
As determinações legislativas também devem se preocupar com considerações práticas. Por exemplo, uma legislatura aprovando uma lei deve decidir se o Tesouro pode arcar com o custo da lei. Assim também, o Grande Conselho se baseou em considerações excessivamente práticas, além do sexo através do qual a reivindicação derivava. O texto menciona explicitamente que o Conselho considerou várias considerações práticas: “O princípio da primogenitura favorecia Laenor, o princípio da proximidade favorecia Viserys. Viserys também foi o último Targaryen a montar em Balerion… embora, depois da morte do Terror Negro em 94 DC ele nunca tenha montado em outro dragão, enquanto o garoto Laenor ainda não havia feito seu primeiro voo em seu jovem dragão, um animal esplêndido cinza e branco chamado Fumaresia... Além do mais, Viserys era um homem de vinte e quatro anos, Laenor um garoto de sete.” Se a tarefa do Grande Conselho era fazer um Precedente de Ferro que determinasse por todos os tempos que as mulheres nunca poderiam sentar no Trono de Ferro, nenhuma das considerações acima seriam de qualquer relevância. O fato de que tais praticidades eram relevantes dá peso à conclusão de que tal precedente não era pretendido.
Dado o tipo de determinação feita pelo Grande Conselho, a composição do Conselho, e como o Conselho fez a sua determinação, há pouca dúvida de que a decisão tomada foi de natureza legislativa, ao invés de judicial. Mas isso não põe fim à questão de saber se a decisão do Grande Conselho teve valor precedencial, porque as legislaturas podem e aprovam leis que afetam o futuro. Por exemplo, o Congresso pode aprovar essa lei a partir de agora, certas atividades são ilegais. Alguns podem referir-se coloquialmente a tal lei como um "precedente", mesmo que não se enquadre na definição estrita. No entanto, para que o Congresso aprove uma lei que afeta os eventos no futuro, ele ter a intenção e expressa-la. Aqui, o Grande Conselho não fez isso. A tarefa era simples, estrita e finita: escolher um herdeiro para Jaehaerys. Ao tomar a decisão, o Grande Conselho não fez outra coisa senão escolher um herdeiro para Jaehaerys. Não há absolutamente nenhuma evidência textual para a noção de que o Grande Conselho de 101 AC realmente votou em qualquer coisa que dissesse: 1) Viserys Targaryen é o verdadeiro herdeiro de Westeros, e 2) também, por acaso, nenhuma mulher ou homem pela linha feminina pode herdam o trono.
Mas vamos supor à título de argumentação que o Grande Conselho, de fato, pretendia tal precedente futuro. Se o Grande Conselho quisesse de fato o resultado de que, a partir de agora, apenas homens e governantes que herdassem dos homens sentassem no Trono de Ferro, esse ato legislativo ainda teria força de lei?
Não teria. Sabemos disso porque, como disse Montesquieu, todas as decisões legislativas estão sujeitas a futuros órgãos legislativos “ corrig-[irem] ou anula[rem] aquelas que foram feitas ”. Aqui, mesmo se o Grande Conselho tivesse decidido que não poderia haver futuro monarca do sexo feminino no Trono de Ferro, um órgão legislativo subseqüente revogou a decisão. Neste caso, o órgão legislativo subseqüente não era outro senão o próprio Viserys:
"Para o rei Viserys, o assunto estava há muito encerrado; Rhaenyra era sua herdeira, e ele não queria ouvir argumentos contrários ‒ apesar dos decretos do Grande Conselho de 101 d.C., que sempre colocava um homem sobre uma mulher". (TWOIAF, os Reis Targaryen, Viserys I)
Em um sistema monárquico, a palavra do rei é um decreto legislativo. Portanto, na medida em que o Grande Conselho do 101 AC estabeleceu que as mulheres não podiam mais sentar no Trono de Ferro, essa determinação legislativa foi anulada pelo rei Viserys. Assim, a decisão do Grande Conselho não pode ter valor de precedente e vincular futuros monarcas ou órgãos legislativos caso esses legisladores decidam emendar ou revogar a decisão. Não existe um Precedente de Ferro que impeça as mulheres de sentarem no Trono de Ferro ou os homens de herdarem o Trono através dos direitos de suas mães.

A Lei westerosi não ampara uma conclusão diferente

Poder-se-ia argumentar que as leis de Westeros não seguem a teoria e o costume que se desenvolveram no Common Law moderno ou na lei de nosso mundo, e assim Black's Law Dictionary e Montesquieu podem catar coquinho. Mas uma leitura justa da lei westerosi, na forma em que ela existe, não ampara a noção de que as mulheres tiveram seu direito de herança proibido antes ou depois do Grande Conselho de 101 AC.
Antes do Grande Conselho de 101 AC, havia vários exemplos de monarcas que eram mulheres ou derivavam seu domínio da linha feminina. Dorne é, naturalmente, repleto de tais governantes, de Nymeria a Meria Martell. Na verdade, pode-se argumentar que o próprio Trono de Ferro passou para um governante que derivou seu governo em virtude de sua mãe: Maegor era o filho de Aegon, o Conquistador, mas a primogenitura pura e agnática teria considerado rei seu sobrinho Aegon. Em vez disso, Maegor afirmou sua reivindicação por direito de sua mãe Visenya. Além disso, relatos contemporâneos indicam que a questão da ascensão feminina estava muito aberta na época:
"Enquanto muitos ainda debatiam se a precedência na linha sucessória cabia ao príncipe Maegor ou à sua sobrinha Rhaena, parecia inquestionável que Aegon sucederia ao pai Aenys tal como Aenys sucederia a Aegon." - Fogo & Sangue - Os filhos do dragão
O fato de que Maegor v. Rhaena foi levado a debate significa que não havia necessariamente uma proibição contra governantes do sexo feminino. Se o costume universal fosse proibi-lo, ninguém se importaria em discutir quem prevaleceria entre Maegor e Rhaena. Isso indica que Westeros segue a Primogenitura de Preferência Masculina, não a Primogenitura Agnática estrita.
Eventos subsequentes ao Grande Conselho confirmam esta leitura. O herdeiro escolhido de Viserys, Rhaenyra, de fato, subiu ao Trono de Ferro, embora por um curto período de tempo. Também sabemos com certeza que, apesar da decisão do Conselho, não há nenhuma proibição legal contra mulheres que servem como monarcas ou senhores no norte. Veja, por exemplo:
"– Novo, e um rei – disse ele. – Um rei precisa ter um herdeiro. Se morrer em minha próxima batalha, o reino não pode morrer comigo. Pela lei, Sansa é a seguinte na linha de sucessão, portanto, Winterfell e o Norte devem passar para ela. [...] – Você reza para que não seja. Já pensou em suas irmãs? E os direitos delas? Concordo que não podemos permitir que o Norte passe para o Duende, mas e Arya? Por lei, ela vem depois de Sansa... sua própria irmã, legítima..." - ASOS: Catelyn V
Se houvesse um Precedente de Ferro contra uma mulher herdar qualquer tipo de trono, nem Sansa nem Arya Stark estariam na linha de sucessão para o título de Rainha no Norte. E ainda assim elas estão. Além disso, sabemos em ADWD, Jon IX que as filhas legítimas herdam antes dos tios por causa do direito legal de Alys Karstark de herdar o Karhold antes do otário do seu tio Cregan.
"– Ele não é nenhum lorde – Alys disse com desdém. – Meu irmão Harry é o legítimo senhor, e, por lei, sou sua herdeira. Uma filha vem antes de um tio. Tio Arnolf é apenas o castelão. Ele é meu tio-avô, na verdade, o tio do meu pai. Cregan é filho dele. Imagino que isso faça dele um primo, mas nós sempre o chamamos de tio." ADWD, Jon IX
Lorde Comandante Snow organiza um casamento entre Alys e Sigorn para cimentar a reivindicação de Alys a Karhold. Se as mulheres estivessem totalmente impedidas de herdar, seu casamento não teria importância e Karhold passaria para seu tio-primo Cregan.
Enquanto a aplicação do costume legal em Westeros é um assunto para outro ensaio, minha leitura inicial indica que não há nada que leve à conclusão de que o costume preexistente ou a prática subsequente façam a decisão do Grande Conselho de 101 AC um tipo de lei superior. Em poucas palavras: a decisão foi sobre Viserys e Laenor apenas. As tentativas de torna-la um Precedente de Ferro são equivocadas e incorretas.

Conclusões

O Grande Conselho do 101 AC não criou um precedente juridicamente vinculativo em Westeros. Não era pretendido, e mesmo se tivesse sido aquela decisão do Grande Conselho foi anulada por Viserys I. Não há lei que impeça as mulheres de se sentarem no Trono de Ferro, ou que os homens herdem o Trono através de suas mães.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2018.11.27 02:49 hermeneze Eu sou contra o casamento gay

Eu fui um dos que colocou que era contra o casamento gay na pesquisa sobre espectro político.
Mais cedo um outro usuário colocou que forçar o reconhecimento de um "casamento gay" de maneira civil era infringir a liberdade individual de cada cidadão. Isso é facilmente derrubado, pois um "casamento gay" gera efeitos entre as partes apenas, logo não é algo opressivo. Não interessa se você reconhece o casal como tal, o importante é que o ordenamento jurídico os reconhecem e os tutelam.
Eu sou contra o casamento gay pois o termo casamento é um termo religioso, o matrimônio tem sua raiz na religião. Segundo a minha religião, casamento só entre homem e mulher, e acabou. É algo religioso, que está diretamente ligado ao pensamento conservador por definição. Isso quer dizer que a sociedade civil se apropriou do termo "casamento", que na verdade é um instituto religioso. Isso explica por que a Igreja Católica, por exemplo, é contra o casamento gay, é uma questão de nomenclatura, é uma afronta a ortodoxia milenar da instituição e a própria vontade de Deus.
Eu não sou contra que pessoas do mesmo sexo se unam sob qual quer outra nomenclatura, que isso gere efeitos jurídicos e sociais, que elas tenham a mesma segurança jurídica e tutela de que gozam casais ordinários (homens e mulheres) sob o instituto do casamento. Sob o ponto de vista do que é justo e correto, é necessário que isso seja feito, não se pode deixar que o desejo de duas pessoas de se unirem, e serem reconhecidas e protegidas por meio disso, seja cerceado.
TL;DR casamento é um instituto religioso adotado pela sociedade civil, pessoas do mesmo sexo podem se unir perante o estado a ter o mesmo status de um casamento, só não pode chamar de casamento, dã.
inb4: "casamento é um termo antigo que já foi incorporado pela sociedade civil a muito tempo e deixou de ser um termo exclusivamente religioso, o signo da expressão se modificou com o tempo e por isso seu post não tem sentido"
Essa é uma forma de relativizar a origem da expressão, se você for relativista eu reconheço que isso faz sentido para você..... Mas eu não sou.
Bjs de luz

submitted by hermeneze to brasilivre [link] [comments]


2018.11.20 16:48 notsureiflying Conversando sobre Alinhamento/Tendência

Eu queria falar um pouco sobre Alinhamentos/Tendências em D&D: porquê eu acho que alinhamento é descartável em 95% das situações e como jogadores e DMs podem ignorar o alinhamento pra desenvolver personagens (jogáveis ou não) e culturas pra seus jogos.
Já antecipo que é uma postagem longa, mas acho que a leitura pode ser útil para jogadores e DMs, novatos ou veteranos.
Antes de mais nada, o que é alinhamento? Vou usar uma definição de um cara que é referência em Game Development e escreveu o principal livro sobre criação de mundos virtuais, o Richard Bartle (tradução livre):
Alinhamento é uma maneira de categorizar um personagem [...] Alinhamento foi projetado para ajudar a definir a atuação, ilustrando a maneira com que a personagem enxerga o mundo e lida com suas questões. Um jogador decide como a personagem deve se comportar, então atribui um alinhamento, que vai ser uma referência para a atuação daquele personagem.
Pois bem, dessa passagem podemos abordar a questão de alinhamento de duas formas distintas: - Alinhamento serve para definir o comportamento de um personagem - O comportamento do personagem serve para definir seu alinhamento.
A diferença entre essas duas afirmações é bem importante, e acredito que a maioria dos players e DMs tenham a tendência de usar a 1a definição.
Na 1a afirmação o jogador escolhe um alinhamento para sua personagem e, ao longo do jogo, usa esse alinhamento como 'régua' para decidir como a personagem se comporta. Cada vez que precisa agir ou reagir a algo, o jogador olha pro alinhamento e pensa 'como alguém com esse alinhamento reagiria a isso?'
Já na 2a afirmação o jogador pensa em diversos aspectos de personalidade e valores da personagem e então 'encaixa' o alinhamento que mais se alinha a essa personalidade e esses valores.
Eu, particularmente, acho a 2a abordagem MUITO mais interessante e isso tem a ver com as óbvias limitações do sistema de alinhamento em dois eixos (Leal-Caótico x Bom-Mau:
Primeira Limitação: "Bom" e "Mau" são questões pessoais, culturais, subjetivas. Em uma tribo que tem contato direto com o Deus da Morte, tratar de um doente em estado terminal e dar a ele uma sobrevida é algo "Bom" ou "Mau"? Se uma população que sabe que vai ao paraíso após morrer em combate, forçar a paz entre grupos rivais ao mesmo tempo que se aplica fortes sanções econômicas é algo "Bom" ou "Mau"? Roubar é "Bom" ou "Mau"? E se a pessoa roubada tiver roubado antes? E se a riqueza hoje é consequência de investimentos ilegais feitos dezenas de gerações atrás? Impedir o Lich de devorar almas inocentes é "Bom" ou "Mau"? E se as almas forem dos piores criminosos do continente? E se o Lich for a melhor maneira de manter a paz do reino?
Definir o 'grau' de bondade de um valor moral é algo não tão simples de se fazer, especialmente no vácuo. O sistema de alinhamento nos direciona a um esquema de moralidade 'preto e branco', o que tende a se tornar simplório na maioria dos jogos.
Segunda Limitação: O sistema de duplo eixo é simplista, reducionista. Pessoas muito raramente são consistentes em sua maneira de lidar com questões morais. Uma pessoa pode ser extramente altruísta no tocante a dinheiro e ao mesmo tempo ser super vingativa quando se sente pessoalmente ofendida. Um Rei pode lutar pelo bem de sua nação e bem estar de seus súditos, ao mesmo tempo que é racista, violento com estrangeiros e trata os filhos extremamente mal. Ele é "Bom" ou "Mau"? Pessoas são complexas, valores éticos e morais são abordados de forma diferente dependendo do contexto e da situação e também mudam ao longo do tempo.
Essas duas limitações que eu destaquei levam a problemas tanto na criação e atuação de personagens, quanto na criação e desenvolvimento de culturas/criaturas.
Caso você siga a primeira afirmação:
Alinhamento serve para definir o comportamento de um personagem
Você vai se ver em diversas situações em que sua personagem age como um robô, seguindo 'regras morais' que não fazem muito sentido e, pior ainda, removendo toda profundidade de sua personalidade.
Afirmar que uma determinada espécie inteligente é de determinado alinhamento é algo muito estranho, também. O que isso quer dizer? Não há variação cultural/moral/ética entre os membros dessa espécie? Que tipo de sociedade não contém pessoas com opiniões e valores diferentes?
Existem algumas explicações para alguns comportamentos de espécies como um , como características biológicas (a espécie é incapaz de sentir empatia, portanto tende a ser má), religiosas (a espécie foi criada pelo deus tal e é incapaz de agir de forma contrária aos dogmas do deus) e até mágicas (a espécie foi alvo de um ritual ancião e é incapaz de romper contratos). Essas expicações ajudam a montar sociedades/espécies que são contidas em determinados alinhamentos, mas na maioria dos mundos de rpg isso deveria ser a exceção, não a regra. Porém mesmo em casos extremos, como ação direta de uma divindade, é possível (e esperado) que existam opiniões divergentes e 'sub-alinhamentos' dentro daquela sociedade. Dentro do povo incapaz de romper contratos você pode encontrar pessoas que mintam ativamente para que o contrato assinado seja benéfico para eles, ou pessoas que agem de maneira transparente: mesmo numa sociedade 'leal' você tem pessoas que se comportam de forma 'leal' e 'caótica'.
Poxa, beleza, mas se eu acho alinhamento uma parada tão escrota, que que eu sugiro fazer?
Uma maneira é criar uma personagem em função de conflitos ou valores. Outra maneira é criar uma personagem a partir da backstory: Eu olho pros principais acontecimentos da backstory e a partir daí esboço como essa personagem lida com questões específicas. Quando os principais valores da personagem estão bem delineados está tudo certo, questões que não são ligadas a esses valores 'primários' são solucionadas de acordo com o contexto.
Dando um exemplo de cada:
  • Vou fazer uma personagem em função da luta por liberdade individual:
O Meio-Orc nasceu e viveu sua vida toda como escravo, trabalhando dia e noite nas minas de rubi-estrela de um Lorde local. Ele nunca recebeu um nome; fazia parte do minúsculo grupo de Meio-Orcs dentre os escravos e sofria com a violência dos guardas e dos humanos em servidão que considerava todo orc impuro, estúpido e claramente inferior. Durante uma usual sessão de chibatadas o Meio-Orc desmaiou de dor e exaustão. Ele acordou com a mina em caos completo, com um machado em sua mão e os corpos de 3 guardas dilacerados no chão, ainda quentes e sangrando, caídos ao lado das correntes que atavam os braços do orc. Os humanos corriam por todos os lados, usando pedras, picaretas, correntes e pedaços de pau como armas, urrando e se jogando contra os apavorados guardas. O Meio-Orc escapou junto aos sobreviventes que não o chamam mais de ‘monstro’, ‘estúpido’ ou ‘Orc’. Agora ele é ‘Herói’, ‘Valente’, ‘Bárbaro’ e, mais importante, “Corrente-Quebrada”.
Pronto. Como se comporta essa personagem? Ele vai lutar por sua liberdade individual, isso é certo. Ele nunca vai aceitar ser enviado à servidão. Ele provavelmente vai tentar se vingar do tal Lorde, talvez por isso ele apoie quem esteja em uma jornada de vingança, boa ou má. Ele provavelmente vai se opor a quem condena outros a trabalho forçado, independente se o motivo é justo ou não. Ele provavelmente vai se opor a preconceitos raciais/de espécie. Ele provavelmente vai defender o direito de auto-defesa. É possível que ele tente ajudar quem nada tem (porque já viveu numa situação em que nada teve) ou que ele não ajude quem nada tem (porque cresceu em um ambiente em que ninguém o ajudou). Esse personagem é bom/mau/leal/caótico? Tanto faz! Eu tenho os valores centrais dele, e de resto eu vou decidir dependendo do desenvolvimento do personagem ao longo da campanha.
  • Vamos criar uma personagem a partir da backstory:
Brandy “Goodwife” era uma garçonete numa taverna portuária que se apaixonou por um jovem marinheiro cheio de histórias para contar sobre o mar e terras distantes com maravilhas inimagináveis. Depois intensas de juras de amor o jovem partiu para uma ‘curta jornada’ e nunca mais retornou. Brandy sofreu com o luto até o dia que reconheceu a figura de seu amado em uma moeda usada por um cliente: aparentemente seu ‘jovem marinheiro’ era o filho de um nobre que estava curtindo a vida antes de seu casamento arranjado. Brandy decidiu que ia ensinar uma lição ou outra para o malandro nobrezinho e entrou escondida no navio pirata “Apogeu” a fim de eventualmente chegar nas terras do filho da puta. Brandy, descoberta pela capitã do navio, fez de tudo: lavou, limpou, amarrou, aprendeu a ler as estrelas e as correntes do mar, a segurar o sabre e manter a postura mesmo com o balanço da embarcação. Descobriu como confiar em cada membro de sua nova família, como farejar as mentiras das tripulações que capturavam e como aproveitar as noites à deriva regadas a rum e luxúria.
A Brandy tá aí. Pela backstory dela eu imagino que ela seja extremamente leal a quem faz parte da sua ‘tripulação’, mas nem pensa duas vezes na hora de roubar ou dar aquela interrogada mais agressiva. Ela quer se vingar do nobrezinho lá, mas talvez faça isso de forma política, sem apelar pra violência direta. É capaz que ela tenha um ponto fraco por jovens casais apaixonados que não sabem nada do mundo. É possível que ela siga um código de conduta comum a marinheiros/piratas. Ela é boa/má/leal/caótica? Tanto faz! Eu tenho uma ideia de como essa personagem se desenvolveu até agora (de jovem impressionável pra mulher independente) e sei de algumas coisas que ela valoriza/pretende fazer (valoriza quem trabalha lado a lado com ela, pretende mostrar pro nobre que ele não é intocável), então fica fácil de me colocar no lugar dela e definir como ela deve agir.
submitted by notsureiflying to rpg_brasil [link] [comments]


2017.09.25 21:45 botafora01 Sinto que a minha vida já está traçada

Desde já peço desculpas pela muralha e pelo throw away
OK, desde o Ensino Médio eu sofria com algo que eu imagino 90% do Reddit sofreu: não conseguia pegar sequer resfriado. Era extremamente zoado pela sala toda por isso (meus amigos até hoje dizem que eu sou o único da turma que nenhuma mulher chegou), cheguei até a apanhar por isso. Só fui perder meu BV no meu ano de calouro na faculdade e a minha virgindade quando fui num bordel. Eu ficava triste com isso, mas também estava esperançoso: afinal, era um adolescente, estava entrando na faculdade, e todos sempre me louvavam por, segundo eles, eu ser muito inteligente. A menina que eu gostava na época, e que até hoje é uma amiga (e que eu passei a maior vergonha da minha vida, ao me declarar pelo fucking MSN), vivia brincando dizendo "O nerd de hoje é o cara rico de amanhã". Boas memórias.
Chegou 2013, e eu entrei na faculdade. Não fui maravilhosamente bem no ENEM, mas consegui uma bolsa integral em Administração em uma bela universidade. Escolhi Adm por pensar que o mercado estava bom e por ser noturna, o que me permitiria trabalhar. Nesse período, perdi meu BV e fiquei com outra menina uma vez, num espaço de 9 meses. Pra mim, isso era o ápice, eu era o deus da conquista, mesmo que meus novos amigos me zoassem de "pega ninguém" do mesmo jeito. Nessa época, eu baixei o Tinder e conheci o meu primeiro namorico, vamos chamar de Ana. Ana morava a 3h30 de viagem, então era praticamente um namoro à distância. Ficamos algumas vezes, 3 meses depois começamos a namorar e, depois disso, ela passou o mês seguinte dando desculpas para eu não ir lá. Chegou fevereiro, veio o carnaval, e ela disse que estava passando mal. Foi para o hospital e detectaram leucemia. Óbvio que eu pirei, queria ir pro hospital dela de todo jeito, mas ela nunca deixava, dizia que os pais me viriam, iria arrumar encrenca, ela iria ver um momento que estivesse sozinha. Se passaram 5 meses nesse tormento, hora ela dizia que estava boa, hora dizia que estava mal, quimio e afins, até que meus amigos de sala fizeram uma intervenção comigo, mostrando que não havia nada em rede social nenhuma dela a respeito de câncer, mostrando que ela estava postando normalmente sobre coisas cotidianas e que era a maior retardadice do mundo eu não ter ido nenhuma vez ver ela. Eu fiquei meio balançado, até porque meus pais concordavam com este ponto de vista, mas fiquei meio irregular com ela. Pouco mais de um mês depois disso, ela disse que tinha tido alta, tinha encontrado um ex, tinha ficado com ele e queria terminar. Não lamentei muito, até porque isso ocorreu em um espaço de uma semana, no máximo. Terminei e, desde então, ouvi dela duas vezes na vida. Passou.
Vale mencionar que, nesse meio tempo, a minha vida em casa havia melhorado demais: durante meu período de Ensino Médio, minha adolescência se resumia a passar finais de semana com minha mãe em bares, vendo ela entrar quase em coma alcoolico com as amigas e outros finais de semana na casa do meu pai, vendo ele ficar bêbado e chorar no meu ombro sobre ele ser um fracassado que não conseguiu sequer manter um casamento. Quando eu terminei, minha mãe já estava mais centrada (como está agora), saindo ocasionalmente e socialmente, e meu pai parou de beber após enfartar e voltou a ser o cara extremamente trabalhador que eu sempre admirei. No fim do meu primeiro ano de faculdade, eu passei a estagiar em um instituto federal. Ao mesmo tempo do término que eu disse acima, eu fui chamado para um concurso temporário, em outro órgão público, bem mais perto de casa.
Poucos meses após eu terminar com a Ana, entrou em cena a pessoa que eu, de fato, considero como a única que eu namorei. Vamos chamar ela aqui de Beatriz. Beatriz me chamou no Facebook, para brincar sobre uma postagem que eu havia feito (já havíamos tido pequeno contato ainda no colégio), e daí começamos a conversar. Dois meses depois, ficamos e, 5 meses depois, começamos a namorar. Ela perdeu a virgindade comigo e, na prática, eu também perdi com ela (transei com prostitutas umas 4 vezes antes. Fiz exames, por precaução, e não deram nenhum reagente). Eu aprendi demais a me aceitar com ela, nós tínhamos a mesma personalidade, ela era a primeira pessoa que não só não me julgava por meus interesses, como me incentivava a seguir eles. Não me cobrava nada, eu não cobrava nada dela, mas conversávamos de forma quase ininterrupta das 7 até meia noite. Com ela, no entanto, eu descobri algo que já havia visto antes nos bordeis: não sei o que me causa, mas com certeza eu tenho ejaculação precoce. Fui em um urologista, que me disse que era algo psicológico, que eu só precisava "me desligar". Tentei os exercícios que o próprio Reddit indica, mas nunca funcionava. Usei camisinha anestésica 2 vezes: uma vez foi uma maravilha, na outra estourou e eu traumatizei. Sempre me sentia extremamente culpado e furioso comigo mesmo após cada fim de penetração, mas o que atenuava era a presença dela, que sempre me dizia que não ligava, que eu conseguia deixar ela no céu somente com as preliminares, que não ligaria de passar por isso por não sei quanto tempo. Tudo que eu me julgava errado, ela me mostrava que não ligava. Eu me sentia num porto seguro com ela, e isso me impulsionava na faculdade: eu imaginava que iria me formar em um emprego na iniciativa privada, sem "data de validade" como meu emprego temporário, e que, 1 ou 2 anos após isso, estaria casado com ela. O único motivo de discussão que tínhamos era que ela tinha total ojeriza de tornar público: não podia postar nada com ela no Facebook, não podia atualizar status de relacionamento, não podia ir conhecer os pais dela, que "iriam proibir completamente". Mesmo os amigos eu só vi 2 vezes (uma outra vez eu não pude ir por motivos profissionais). Eu sempre entendi que isso era um receio dela, então, mesmo um pouco frustrado, eu aceitava. No que eu terminei minha monografia, estava preocupado com a questão do mercado, mas nada demais. Até que veio o dezembro, 1 ano e 4 meses após começarmos a ficar.
Eu estava na faculdade, pegando os convites de formatura, quando ela mandou o tradicional "precisamos conversar". Resolvemos por texto mesmo: ela disse que gostava de outra pessoa, e que se sentia culpada namorando comigo com interesse em outro. Aceitei, triste, e demos um tempo. 2 dias depois, um amigo me manda uma foto no perfil de um rapaz, que era o mesmo que ela gostava: ambos deitados, ela de top e ele sem camisa, e uma descrição bem...insinuante. Óbvio que eu pirei, liguei para ela, tivemos uma baita discussão, mas, depois disso, esfriou. Acabamos nos vendo, e ficando de novo. Ela terminou com o rapaz, mas ainda jurava de pés juntos que aquela foto era uma coincidência, que ela não havia me traído, que jamais faria isso, que era íntegra. E ficamos uns bons 3 meses indo e voltando até que, em abril, ela me mandou um testamento contando tudo: numa segunda, ela estava na casa de uma amiga, com este rapaz e o cara que a amiga estava pegando. A amiga e o peguete dela começaram a dar uns amassos no local e, segundo ela, ela não conseguiu "resistir" e montou no cara. Uma traição espetacular, que até hoje eu uso como humor auto depreciativo. Fiquei em choque por um tempo, mas, contra os conselhos de todos, perdoei ela e voltamos a namorar. Mas não era a mesma coisa. Ainda era maravilhoso por um aspecto, mas, por outro, ela estava insegura com o relacionamento (dizia que se sentia culpada por ter "estragado tudo por um impulso") e eu estava inseguro com tudo, precisava de validação dela pra tudo, principalmente no que tangia sexo. Eu já era inseguro sexualmente antes, agora era 3x mais, então eu basicamente a induzi a me contar toda a experiência sexual dela com ele, até eu me sentir menos perdedor. No entanto, eu estava começando a me recuperar em junho, estava me reencontrando, entendendo que estava apertando ela desnecessariamente (uma amiga teve essa conversa esclarecedora comigo). Então, tanto como solidificação como um pedido de desculpas, eu planejei uma viagem para nós, no dia que ficamos pela primeira vez, que cairia num sábado. Disse para ela os planos, ela ficou elétrica, empolgada, começou a me mandar links do local, brincar com meus planejamentos e afins...e, na semana seguinte, pediu para terminar. Disse que nunca esteve certa sobre nós termos voltado, que ela ainda me amava, que ainda sentia tesão comigo, mas que não se sentia pronta para um relacionamento sério, e "não queria me magoar". Aceitei, até mantive o contato, pq, nesse meio tempo, ela virou a minha melhor amiga. Mas o mesmo amigo da vez anterior me mandou um print de uma conversa dela com a irmã dele, dizendo que tinha terminado por estar afim de outro cara, e eu reconheci o sujeito: era um cara que ela falava horrores bem dele, "ah, fulano fez isso, fulano fez aquilo, me ajudou com x, um cara foda, faz não sei o que". Não sei se ela me traiu, mas tal conversa era de 1 dia e meio após termos terminado, e ela já havia ficado com tal cara. Não sei se ela me traiu de novo, mas a confrontei (não falei do meu amigo, obviamente, disse que a vi na rua) e ela manteve que não me traiu, mas que, dessa vez, poderia ficar com quem quisesse pq "fez a coisa certa". Eu disse que não conseguiria conversar com ela enquanto ainda tivesse sentimentos, ela disse que entendia, mas que queria saber de mim, que eu ainda era "o melhor amigo" dela.
Isso faz um mês e meio. Eu não consigo deixar de me sentir mal. Eu podia ter feito tanta coisa melhor, mas não fiz. Ela me traiu, possivelmente duas vezes, e tudo que eu consigo fazer é me culpar. Eu só não a chamei ainda pq imagino ela ficando com esse cara, que é melhor que eu em tudo: mais bonito, com uma barba farta de lenhador, com uma carreira já estabelecida, carro na garagem, mora sozinho e afins. O que me leva ao lado profissional: a sala da faculdade se reuniu para um churrasco há 3 semanas, estávamos conversando sobre empregos e eu concluí algo: apesar de que eu (e eu sei quão arrogante isso soa) ter feito que metade da sala ganhasse um diploma, eu sou o único dali sem um emprego minimamente fixo e tenho um salário que é o menor de todos, com vantagem. Todos falam que eu vou ganhar 3k, 4k logo, mas eu já cansei de tomar portadas de empresas. Gasto com passagem, gastei com um terno novo, gravata, e tudo que eu consegui foram muito obrigados, mas uma parcela da minha sala que literalmente não consegue entender que 50% e 0,5 são a mesma coisa (eu tive que ensinar manualmente regra de 3 simples e cálculo com números decimais quando estudamos Matemática Financeira) estão em empregos bons na iniciativa privada, comprando casas e carros. E, de todos ali, só uma me arrumou entrevista na empresa dela (que eu não consegui, principalmente por dita empresa estar num processo de fusão). Quatro conversam ocasionalmente, e o resto só entra em contato pedindo para que eu faça para eles provas de inglês de processos seletivos ou provas da faculdade (para os que ainda não se formaram).
Eu estou fazendo Contabilidade agora, vendo se consigo recomeçar, mas estou extremamente desiludido. Não sei o meu problema, mas o que eu imaginava quando entrei na faculdade não aconteceu. Eu sou um total fracassado no mercado de trabalho, e dificilmente vou conquistar algo além de pular de trabalho em trabalho de escritório, para tirar 2 salários e soltar rojão de alegria por não estar desempregado. Na verdade, eu já imaginava algo nessa linha desde o último semestre, mas, além da esperança mínima, eu carregava que iria ter uma família. Alguém me aceitava, alguém me amava. Hoje, eu vejo que nem isso. Nesse mês e meio pós-término, eu percebi como meu stock está horrorosamente baixo. Ouvi diretamente de uma estranha (no Tinder, vale dizer) como eu sou "feio, com cabelo estranho e roupas deprimentes". A maior parte dos meus amigos disse que eu vou achar alguém, mas só uma amiga me apresentou para alguém (Spoiler: eu quis levar pra amizade pq esta pessoa demonstrou 0 interesse romântico em mim, mas temos muitas afinidades de gostos. Não quero que alguém legal se perca só por não querer abrir as pernas pra mim em qualquer futuro).
Então, qual a conclusão? Para relacionamentos, eu sou a tempestade perfeita: meus gostos não são nada pop, meu estilo de roupa desagrada geral, minha voz é deprimente, eu sou lerdo, distraído, amo entrar em rants gigantes quando me empolgo (vide este texto) e, mesmo que alguma garota um dia resolva passar por isso tudo, o prêmio dela será ter de viver com sexo oral recheado por 30s de penetração, num dia bom. Nenhuma mulher no mundo quer se relacionar com um homem que precise fazê-la ter um orgasmo com masturbação pq não aguenta chegar a 1min de penetração. Ou seja, eu até posso tropeçar em alguma peguete (sim, essa é a palavra, tropeçar. Um incidente do acaso, como foi com a minha ex), mas nenhuma jamais chegará a ser de longo prazo. Dificilmente eu terei uma família. E, sem uma família, não há nada para contrabalancear o fato de que eu sou um fiasco profissional. O "menino gênio" do colégio, o "cara que vai ganhar 7000 daqui 3 anos" da faculdade nada mais era que uma pessoa com um par de neurônios no meio de um grupo de pessoas com bases educacionais mais fracas que a minha e, principalmente, sem interesse algum em estudar. Numa sala focada, eu teria de me esforçar para estar no meio do pelotão. Eu sou mediano intelectualmente e, profissionalmente, sou um lixo que não conseguiu fazer networking na faculdade e, hoje, irá ter de viver de escritório em escritório, sem nenhum breakthrough.
Minha vida parece estar desenhada para ser a definição de um fiasco, de um total e completo desperdício de oxigênio. Mas eu tenho uma missão: cuidar dos meus pais. Ambos dependem demais de mim psicologicamente, ambos me amam mais do que qualquer outra coisa. Sem a minha presença aqui, a vida dos dois colapsaria. Sinto que eu só vim ao mundo para ser o pilar da vida de ambos. Então, eu tenho que ir empurrando a minha vida enquanto ambos estão vivos, tentando ao máximo não embaraçar eles mais. Decidi que vou viver a vida no limite nesse meio tempo: finalmente comecei a fazer academia (minha postura sempre foi torta e, nos últimos 2 meses, eu ganhei peso. Quero eliminar essa pança antes que ela vire um problema), fui ao Maracanã mês passado ver a ida da Copa do Brasil (sou de MG), devo receber uma indenização boa quando sair daqui e estou planejando um mês de curso de inglês na Europa (meu inglês é bom, mas não é perfeito e isso sempre me incomodou horrores, sem falar que conhecer a Europa é O sonho que eu tenho de vida). Será o meu maior highlight, e a única loucura que eu me permiti fazer. Quando voltar, vou fazer o que gosto e, mais importante, vou cuidar dos meus pais, de tudo que eles precisarem de mim.
Não sei o que o futuro reserva pra mim, mas, pensando com lógica, eu devo chegar nos meus 35/40 anos quando ambos meus pais falecerem. Quando isso acontecer, serei um solteiro entrando na meia idade, possivelmente com pouca experiência sexual que não envolva garotas de programa, num emprego pouco satisfatório e sem nenhum amor que tenha sido recíproco e que não acabe na mulher se cansando de um cara patético e percebendo que praticamente qualquer coisa é melhor que eu. Será covardia, alguns sentirão tristeza, mas será temporário, todos irão superar, e haverá um pouco mais de oxigênio no mundo.
A minha mente ainda tenta, em alguns momentos, achar alguns cenários de ilusão, de que algum milagre irá acontecer, mas não irá. Eu sei que não. Profissionalmente eu fracassei. Academicamente eu fracassei. E, amorosamente, eu também fracassei. Vi que não basta achar alguém que aguente a minha personalidade, ela não irá suportar alguém que trata preliminares como Evento Principal, e eu irei morrer com esta condição.
Por mais paradoxal que seja, pensando assim eu estou aprendendo a abraçar o que eu gosto. Eu gosto de ler. Eu gosto de sair para comer e voltar para casa. Eu gosto de esportes. Eu gosto de escrever. Eu gosto de viajar. Não vou mudar o que eu gosto pelos outros, até porque será inútil, resolver um sintoma não cura a doença, e não há remédios o bastante para curar todos os sintomas dessa doença chamada eu. Fico feliz pelos meus pais existirem, pq, se não fosse por eles, eu teria sido um fiasco absoluto em vida. Fico feliz pelo meu último namoro, pq eu nunca me senti mais feliz do que numa tarde de sábado, quando ela disse "te amo" pouco antes de cochilar no meu peito. Eu fui feliz com o amor, e, por causa dela, eu aprendi que todo relacionamento que eu entrar, obrigatoriamente, terá um fim unilateral. Eu vou ser feliz com meus outros desejos, concluir meus hobbies, fazer o que eu gosto, e cuidar de quem me ama incondicionalmente, até o fim deles. Dali, serei eu que terei meu livramento.
Eu precisava contar isso pra alguém, mas não quero que tratem isso como um pedido de ajuda, pq não é. Meu real objetivo de vida sempre foi ter uma família minha, ter um filho em uma casa estruturada e passar meu conhecimento adiante. Eu já sei que, por questões psicológicas e físicas, isso jamais acontecerá. Quando meus pais se forem, eu literalmente não terei mais o que fazer aqui e, se tudo der certo, eu terei realizado ao menos uma parcela boa dos meus outros sonhos. Eu estou tranquilo quanto a isso. Talvez ainda sinta, de novo, a dor de ver alguém me trocando por outra pessoa melhor, mas agora eu sei que isso acontecerá. Doerá menos, eu espero. E, se nem isso eu conseguir, bem...dois salários por mês dá para pagar por sexo.
De novo, desculpem pelo texto gigante.
tl;dr: Todos confiavam em mim, todos achavam que meu futuro seria brilhante. Meu futuro será medíocre, patético e, ao menos, tem uma data para acabar
submitted by botafora01 to desabafos [link] [comments]


2016.04.24 20:55 ed_mota Dicionário Houaiss vai alterar o conceito de família

Postando o texto já que parece que está atrás de um paywall, o link para quem interessar está abaixo do texto.
Dicionário vai alterar o conceito de família
CLARISSA THOMÉ - O ESTADO DE S.PAULO 24 Abril 2016 03h 00 ­ Atualizado: 24 Abril 2016 12h 12
O Grande Dicionário Houaiss terá uma nova definição para a palavra ‘família’. O verbete está sendo construído com base nas contribuições dadas pelas redes sociais e vai substituir o atual, segundo o qual “família é um grupo de pessoas vivendo sob o mesmo teto (esp. o pai, a mãe e os filhos)”, entre outras acepções. A ideia é provocar a discussão em torno do tema com a aprovação em comissão especial da Câmara dos Deputados do Estatuto da Família (PL 6583/13), em setembro passado.
O texto aprovado, que ainda será votado em plenário, estabelece que família é núcleo formado por homem, mulher e seus descendentes e exclui relações homoafetivas.
A campanha #todasasfamilias foi criada pela agência de comunicação NBS. “O relatório aprovado é de um anacronismo gritante. Basta olhar a nossa volta para ver a diversidade das famílias. Então, tivemos a ideia de usar as vozes das pessoas, para que elas trouxessem seus olhares e mudassem o significado no dicionário”, afirmou o vice­presidente de criação da NBS, André Lima.
O projeto começou com um perfil no Facebook, reunindo depoimentos de famílias com diferentes formações: pai e filho, pais adotivos e suas crianças, duas mães ou dois pais e seus filhos, casal hetero que cria os netos e bisnetos.
Uma das histórias é a da publicitária Yasmin Barbosa, de 25 anos, e de sua irmã, Júlia, de 10. Um pouco antes de morrer de câncer, aos 49 anos, a mãe delas perguntou se Yasmin preferia que uma das tias assumisse a criação da caçula. Yasmin tinha 19 anos, Júlia, 4. “Eu não aceitei de jeito nenhum. Minhas tias moram em outros Estados, eu não queria que a Júlia saísse do seu ambiente familiar”, afirmou Yasmin.
Ela reconhece que o início foi difícil. Ainda fazia faculdade, saía de casa muito cedo e voltava tarde. Júlia ficava aos cuidados de uma babá. “Hoje, estamos mais adaptadas. Flui naturalmente, corrijo dever de casa, busco na escola, tenho um papel de mãe.” Os fins de semana são dedicados à irmã.
A publicitária aderiu à campanha. “O estatuto só faz com que pessoas que não se enquadram no padrão ‘pai e mãe’ se sintam ainda mais excluídas. Nossa família pode ser mais estruturada do que muitas famílias tradicionais por aí”, reagiu.
A publicitária Bianca Repsold, de 35 anos, e a jornalista Renata Ribeiro, de 39, também aderiram à campanha pela mudança de verbete no Houaiss. Juntas há 14 anos, elas são mães de Valentina, de 1 ano, gestada por Bianca. Agora é Renata que está grávida das gêmeas Ana e Nina. O pai biológico é um doador, com quem elas não têm contato. “Esse estatuto é zero ameaçador.
Todo mundo conhece alguém com núcleo familiar não tradicional”, crê Bianca. As duas escrevem o site Sweet Child of Moms, em que contam a história da chegada de Valentina e, agora, das gêmeas. Até agora, a campanha recebeu cerca de 3 mil sugestões pelo site www.todasasfamilias.com.br.
A recorrência da palavra amor é um dos aspectos que chama a atenção na campanha. Resultado que contrasta com o relatório do deputado Diego Garcia (PHS­PR), aprovado pela comissão especial. Para Garcia, o afeto “não é o elemento adequado e necessário para atribuição de deveres jurídicos em matéria de família”. “O afeto, subjetivo e individual, não poderia ser elemento apto para sustentar deveres jurídicos. Sua ausência não leva ao desaparecimento de deveres intrínsecos aos vínculos oriundos da relação familiar estabelecida na relação de casamento ou união estável entre homem e mulher, ou na relação de filiação”, escreveu. Procurado pelo Estado, o deputado não foi encontrado.
As sugestões de novos verbetes serão selecionadas e encaminhadas à equipe do Houaiss. Para o filólogo Mauro Villar, diretor do Instituto Antônio Houaiss e coautor do dicionário, a campanha é uma oportunidade “excepcional, por dar voz a milhares de pessoas, incluindo grupos cuja opinião interessa ser ouvida”. “Nos dicionários, as definições das novas palavras e das acepções novas das palavras existentes são feitas a partir do contexto em que aparecem. É um processo eficaz, mas mais ‘frio’ do que o propiciado por essa campanha”, afirmou Villar. Quando o verbete for reescrito, a alteração será feita na edição online.
Original: http://brasil.estadao.com.bnoticias/geral,dicionario-vai-alterar-o-conceito-de-familia,10000027735
submitted by ed_mota to brasil [link] [comments]