Demasiado joven para fechar

A velha

2019.08.28 12:52 Alfre-douh A velha

Em casa de Dora, a foto com o marido que estava na cómoda da entrada acabara de ser colocada para cima. As suas caras jovens e de felicidade cândida, em trajes de casamento, fitavam agora a porta de entrada. Tornara-se um hábito, sempre que Dora estava sozinha em casa a moldura era virada para baixo e sempre que alguém lhe tocava à porta ou saia ela compunha ligeiramente o napperon rendado que lhe servia de base e virava-a para cima. Num ciclo com cada vez mais olhares vazios e cada vez menos felicidade cândida.
Hoje, Dora fazia 75 anos, algo que preferia não acontecesse. O tempo ia-lhe erodindo toda a sua construção deixando-lhe pouco mais que esqueletos de memória. O frio a cada ano se tornava mais intenso e os ossos, já com pouco que os protegesse, mirravam, contorcendo-se em desconforto.
Vestira o seu vestido negro mais bonito, colocara o seu fio de ouro e soltara o cabelo grisalho e ondulado, que escovara demoradamente enquanto fixava o seu olhar baço com aquele que o espelho lhe devolvia.
Ao arranjar-se calculara do seu dia o que podia. Não gostava de surpresas. Odiava-as visceralmente. Odiava a ideia de ter de dissimular alegria espontânea ou singela compreensão, embora com o tempo se tenha tornado excelente nisso. Calcular tinha-a ajudado, ó Deus, todo o seu decaimento tinha-a tornado refinada nessa arte. A dor omnipresente tornara-a gradualmente uma mulher sagaz, ao contrário do que acontece às outras. As outras queixam-se, choram-lhe encima, contam-lhe segredos, revelam-lhe toda uma vida. Ela sorri-lhes, consola-as, percebe-as, profere-lhes frases de esperança e sabedoria oca. Vê-las a perder a dignidade, sentir o desdém que todos os lamentos lhe provocam, à sua maneira, traz-lhe conforto. Ela gosta dessa dose pontual de desespero alheio pois subliminarmente isso valida a equação que resolveu há uns anos: a vida é uma história sem moral. Encostara o ouvido à porta de entrada do seu 1º esquerdo. Naquele prédio, desprovido de elevador, os passos nos degraus de moleanos causavam um ritmo muito distinto que ela auscultava até que ele parasse em estrondo com o bater da porta da rua. Não que lhe fizesse especial diferença, era apenas um hábito. Da mesma forma que calculara grande parte da vida a dimensão dos pontos nos mais diversos tecidos, calculava sempre que podia o que acontecia à sua volta.
Ao sair, trancou a porta com grau de força que os ossos lhe permitiam. O impacto da porta com a aduela ouviu-se pelo prédio, parecendo-lhe criar uma pequena agitação algures, dando-lhe a sensação de que não estava sozinha. O som devolvido em eco parecia não ser aquele a que este lugar comum lhe habituara. Enquanto a chave fazia o canhão da fechadura mover-se olhava para dentro, atenta a uma memória do passado, uma memória guardada num lugar estranho tornado comum. Endireitou o pescoço, e de pálpebras fechadas, encheu o peito de ar e exalou silenciosamente. Ao abri-los novamente teria a certeza que a memória já estaria longe.
Foi então que ao descer o primeiro lanço de escadas se deparou com ela, a surpresa.
"Olá dona Dora! Como está?!" - num segundo muito improvisado, tentou calcular a presença dela ali. A vizinha de cima, a jovem com beleza de flor primaveril (que ela admirava em inveja), agraciava-a com o banal cumprimento cândido e jovial. Esta era, contudo, uma daquelas alturas em que a audição era claramente contrariada pela imagem. Ao olhá-la, vira naqueles olhos castanhos escuros algo de negro. Tinha claramente estado a chorar, ali, sozinha. E o motivo para o choro era verdadeiro, denso e derradeiro. Sabe há muito que só está ao alcance de poucos conseguir que o som descole da imagem fria e árida que atormenta a alma. Preparou-se.
"Olá Sofia! Vou andando minha filha... vou andando!" - disse esquivando-se e, curiosa com aquele olhar, perguntou-lhe num tom apaziguador cujo alcance conhecia bem - "Que fazes tu aqui sentada? Está tudo bem? Passa-se alguma coisa, minha flor?" Ela respondeu soltando uma gargalhada nervosa e voltando a si "...nada que não se resolva..." - aplicando agora um riso composto, em que o som e a imagem mantinham a distância coerente, acrescentando com um laivo sombrio - "...embora eu ainda não saiba como, mas pronto!" "Minha filha, há sempre uma solução... por vezes o nosso coração atrapalha, outras vezes é a nossa cabecinha... mas o que não falta para aí são soluções" – Dora resolveu-se a tentar adivinhar ali uma crise conjugal. "Se fosse assim tão simples…" - disse-lhe Sofia, desviando o olhar - "...não tenho bem a certeza de que enfeitar aquilo que me assola resolva alguma coisa..." - movendo suavemente a cabeça e devolvendo um olhar de afirmação numa cara sorridente - "...é bem capaz de deixar tudo pior". “Desculpe, perdi-me aqui um bocadinho… talvez não seja uma desculpa decente, mas isto é defeito e feitio ao mesmo tempo” refere Sofia, em tristeza e percebendo em si uma ingratidão. “Vejo-te nervosa minha filha…quando estamos nervosas não dizemos o que queremos… É o nervosismo a falar! E quando é ele a falar a razão deixa de ouvir”
“Sim, tem razão! Estou nervosa e tenho de me acalmar…” “…não há nada que não se resolva minha filha! Todos temos dias, períodos maus, e nessas alturas queremos muito que venha até nós uma solução. Deus! Nessas alturas imaginamos tudo, pensamos em tudo e no fundo não adiantamos nada.” Cadenciando o tom, de forma a tatear a verdade antes de a ouvir, acrescentou: “Eu não sei o que se passa contigo … Mas sei que se deixas o nervoso falar muito ele vai-te consumir. Tu és inteligente, não precisas de conselhos de uma velha, tu já sabes bem aquilo que te estou a contar…” acaba enviando um sorriso empático. “Dona Dora, obrigado, do coração, obrigado! Mas a minha situação é mesmo muito complicada…Não é como se me saísse a rifa na quermesse do bairro e subitamente tudo ficasse bem…” Dora ri-se, sabe que quando a vida escurece o humor fica paradoxalmente melhor “Desculpa rir-me minha filha! Lembras-me quando tinha a tua idade e todos problemas pareciam os Caretos do entrudo…Não o são! Aliás todos os problemas têm as suas virtudes mascaradas, nós é que temos de ser corajosas … enfrentá-los e a máscara acaba por cair. Porque já não há razão para ela existir, percebes? “Eu… eu nem sei o que é um careto, nem um entrudo, e neste momento ver virtudes nos meus problemas? Não me parece…” "Mas olha que elas estão lá." "Explique-me então onde está a virtude em ter crescido com um pai bêbado e frustrado com tendência para a violência.... E melhor, como se isso só por si não fosse já matéria para traumas,… Explique-me onde está ela quando vejo a pessoa de quem gosto, e que por acaso me salvou dessa situação. A pessoa que me deu a mão e que amo, estar a desistir da relação...que no fundo é a única coisa que tenho." Raiva, desalento e uma fixação que lhe condiciona a sua verdadeira liberdade é o que Dora vê. Pensando para si que Sofia tem de perceber o básico sobre a condição humana: o amor é a jarra de flores numa casa a cair. Sendo que neste caso, vê com clareza que, mesmo com as rachas aumentarem, as flores são demasiado importantes para Sofia. “Quando eu o vejo, vezes e vezes, a começar a rejeitar-me, a chegar tarde a casa...merda! a não querer estar comigo. Onde é que eu vou ver a virtude? Desculpe Dona Dora, mas não há virtude aqui, e eu sei que a senhora com toda a certeza terá a sua história e quer ajudar-me mas... mas é impossível!” “Uma coisa eu sei… eu não vivo sem ele e não vou estar a abdicar de parte de mim. Quero-o no nosso mundo, um mundo onde aquilo que é ruim murcha depressa, o mundo onde ele é tudo para mim e eu sou… tudo para ele” Sofia começa a revelar toda a sua instabilidade. Instabilidade que Dora, como mulher, conhece bem. O que Sofia parece não saber é aquilo que Dora se resolve a ensinar: uma mulher deve existir tendo as suas emoções como ferramentas e não ser uma ferramenta das suas emoções. “Minha filha… em tempos também eu tive alguém. E esse alguém era tudo para mim, e a vida era realmente bonita ao lado dele” – Dora olha para luz descendente da caixa de escadas do prédio. “Contudo as pessoas mudam, e a mudança traz muitas vezes dor…e se há dor e nos faz mal então o que interessa é o momento, de que valem as memórias?”
Sofia escutava atentamente, enquanto Dora falava com calma de voz decidida e contundente. “Um dia, esse meu amor, disse-me: que tinha tido com duma outra mulher um filho que nunca conhecera e que pretendia deixar-lhe o que tinha em testamento…” “Bem vês que o medo da justiça divina só se sente quando se está perto da morte…E até lhe concedo isso…Contudo, em ironia, ele acabou por morrer precisamente no dia em que se iria encontrar com o advogado para tratar do testamento”. “Sofia minha filha…” Dora passa as mãos pelo pedra dos degraus “ Caiu precisamente nestas escadas e morreu…” “Não é suposto o amor matar-nos… se fosse ele não estava morto” “Como assim, Dona Dora??” pergunta agora Sofia, para alguém que não está ali. “…Desculpa minha filha, não me estou a sentir muito bem. Ia sair, mas acho que vou voltar para casa e deitar-me” “Quer ajuda?” “Não minha filha, nesta vida ajuda quem pode…e tu tens as tuas coisas para resolver”
Dora, encontra-se desarmada, esteve muito perto de confessar. Nunca tinha estado tão perto. Não percebia se era solidão ou empatia ou mesmo identificação com Sofia. Rodou o canhão da fechadura e entrou, desejando novamente “tudo de bom” a Sofia antes de fechar a porta.
Já em casa, ajusta levemente o napperon, pega na foto de casamento, e diz para si baixinho: “aquele empurrão serviu-nos aos dois…não é, meu amor?”
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2019.03.06 02:56 fidjudisomada UEFA Liga Europa 2018/9, 1.ª mão dos 8-avos-de-final: GNK Dinamo Zagreb vs. SL Benfica

BRUNO LAGE: "FAZER UM BOM JOGO E LEVAR A ELIMINATÓRIA PARA A LUZ"

Realizado o treino de ambientação da equipa do Benfica ao Estádio Maksimir, Bruno Lage, em declarações à BTV e, depois, em conferência de Imprensa, projetou a partida com o Dínamo Zagreb, marcada para as 17h55 de quinta-feira (hora portuguesa).
"Como se muda o chip? Não muda! É mais um jogo em que a maior exigência da nossa parte é jogarmos bem", disse o treinador na antevisão da 1.ª mão dos oitavos de final da Liga Europa.
Que Dínamo Zagreb é que o Benfica vai defrontar?
Estudámos muito bem o adversário. É uma equipa que joga em 4x3x3. Pode fazer eventualmente uma ou outra alteração, até mesmo de sistema, e aqui a dúvida é com que tipo de meio-campo vai jogar, se com dois médios e um médio mais ofensivo, ou então um médio-centro e dois médios interiores. Estamos preparados para ambas as situações e também convictos, em função daquilo que será o nosso onze, de apresentarmos a melhor dinâmica em campo. Temos tido essa felicidade de jogar bem. Treinamos bem, e aqui também treinámos com enorme qualidade. A nossa ambição é voltar a apresentar um bom jogo e levar a eliminatória para a Luz.
Espera um adversário a apostar tanto na componente física como o Galatasaray fez na eliminatória anterior perante o Benfica?
A maior preocupação desta equipa do Dínamo é tentar jogar bem. Tem feito uma boa campanha nas provas nacionais e também na Liga Europa, onde teve uma fase de grupos exemplar e, depois, uma eliminatória muito bem jogada. Tem um futebol ofensivo muito interessante.
Espera-se que haja alterações na equipa do Benfica relativamente ao último jogo frente ao FC Porto...
Relativamente a nomes, sim. Temos a nossa dinâmica, as nossas estratégias, mas também olhamos para a gestão do plantel. Estamos muito satisfeitos com o trabalho de toda a gente e temos de fazer a gestão do plantel. Estamos a três meses do fim da época, conquistámos a liderança no Campeonato e temos ainda pela frente a Liga Europa e a Taça de Portugal. Estou satisfeito com a forma de treinar de toda a gente.
Vai repetir a receita de Istambul e lançar jogadores com o objetivo de lhes dar experiência?
O mais importante é o caminho que se vai fazendo. Veem da nossa parte um jogo alegre e dinâmico, mas isso também acontece fora de campo. É importante haver ligações, as pessoas sentirem que há um grupo forte. Quando assim é, tudo acontece e os resultados ficam mais perto de se alcançar. Quanto a este jogo, temos de olhar para o adversário, entendê-lo, preparar a melhor estratégia e, em função do que é jogar de três em três dias nas várias competições, escolher o melhor onze. Vai ser um jogo diferente dos que fizemos com o Galatasaray e com o FC Porto. Em função do trabalho, temos sentido uma dedicação enorme por parte de todos os jogadores. Uns têm jogado mais do que outros. Eu ter entrado a meio e estar à frente do grupo há apenas dois meses faz com que as oportunidades ainda não tenham chegado a todos como merecem. Vão aparecendo e eles têm de justificar, que é o mais importante.
Como se faz a mudança de chip para a Liga Europa, agora que o Benfica acaba de alcançar a liderança do Campeonato?
O chip não se muda porque a nossa forma de olhar para o trabalho é sempre focados no que temos de fazer. É mais um jogo em que a maior exigência da nossa parte é jogarmos bem. Temos de continuar o nosso caminho, sabemos que estamos em três competições e o mais importante é treinar bem para jogar melhor. Treinar bem dá-nos a oportunidade de jogar melhor. É isso que queremos.
Convocou nove jogadores da formação. Esta combinação de jogadores jovens e com outros menos jovens garante-lhe a intensidade que pretende nos treinos?
A intensidade não é só correr, é também pensar. O sentido é tentar aproximar a intensidade do jogo no treino. Fizemos aqui um treino curto, de sensivelmente 30 minutos, mas com a intensidade que pretendemos para o jogo. É isto que queremos, sempre intensidade alta.
Disse após o clássico que os jogadores estavam a fazer de si treinador. E o que é que já fez para tornar os jogadores melhores?
O objetivo é fazer melhor equipa, esse é que é o caminho. Se jogam na equipa do Benfica é porque são jogadores de enorme qualidade. O objetivo do treinador a este nível é tentar fazer com que joguem em equipa, que tenham o mesmo comportamento nos vários momentos, sabendo todos o que têm de fazer. Essa é a parte mais difícil: meter 11 jogadores a correr e a pensar todos ao mesmo tempo. Criar ligações e dinâmicas para que funcionem como uma unidade é o grande objetivo. É assim que eu vejo a tarefa de treinador.

KROVINOVIC: “ESTAMOS PRONTOS! CONFIO MUITO NA EQUIPA”

“Esta é a minha cidade, tenho aqui a minha família, os meus amigos, este é o meu ex-clube e estou muito feliz por estar aqui”, começou por dizer Krovinovic, em declarações exclusivas à BTV.
“Espero sempre por uma oportunidade, tal como toda a gente, sinto-me bem, mas amanhã [quinta-feira] quem decide é o míster”, explicou o croata formado precisamente no Dínamo Zagreb.
Instado a uma primeira análise à sua ex-equipa, Krovinovic deixa elogios ao adversário, mas acredita que este Benfica está preparado.
“O Dínamo está a fazer uma grande temporada, mas nós estamos prontos. Confio muito na nossa equipa e acredito que vamos demonstrá-lo amanhã [quinta-feira]”, analisou.
Já em conferência de Imprensa, Krovinovic reiterou estas ideias e deixou bem claro o mote para a partida.
“Vimos para ganhar! Vamos defrontar uma grande equipa, com grandes jogadores, a fazer uma grande época, mas vimos para ganhar”, disse taxativamente, revelando que “gostaria muito de voltar a jogar” no Estádio Maksimir, contudo, e não obstante sentir-se preparado, a “decisão é sempre do treinador”.
Olhando para o outro lado da barricada, não são esperadas facilidades…
“O Dínamo é uma equipa que quer e gosta de jogar, joga um futebol bonito, e tem jogadores de grande qualidade. Fazem muito bem as transições ofensivas e acredito que vão dar tudo. É um dia histórico para eles”, analisou, aludindo ao facto de esta ser a melhor campanha europeia de sempre da formação croata.
A fechar, e depois de revelar que vai ter nas bancadas do Estádio Maksimir os pais e a avó, sendo que só o irmão “vai ficar em casa porque está demasiado nervoso” para assistir in loco ao desafio, Krovinovic levantou ainda o véu a uma mensagem que recebeu logo após o sorteio desta eliminatória…
“Recebi uma mensagem do guarda-redes do Dínamo, que é um grande amigo meu há muitos anos. Ele perguntou-me: 'Estás a tremer?'. Eu respondi: 'Claro que não'”, finalizou o camisola 20 da equipa comandada por Bruno Lage.

Lista de Convocados

  • Guarda-redes: Odysseas, Svilar e Zlobin;
  • Defesas: Corchia, Grimaldo, Yuri, Rúben e Ferro;
  • Médios: Živković, Nuno, Rafa, Cervi, Samaris, Florentino, Gedson, Gabriel e Krovinović;
  • Avançados: Félix, Jota e Seferović.

Boletim Clínico

  • Ebuehi: status pós-cirurgia a rotura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo;
  • Jardel: lesão muscular na coxa direita;
  • Conti: traumatismo no pé direito;
  • Fejsa: traumatismo no pé esquerdo; e
  • Salvio: lesão tendinosa do bicípete femoral à direita.

Talking Points

Preparámos uma lista de temas para conversas sobre este jogo, mas estejam à vontade para passar por cima dela, ou pegar num ou alguns, e apresentar as tuas observações e expressar opiniões:
  1. Qual é a tua previsão sobre o resultado final e os marcadores?
  2. Qual é o teu onze inicial, estrutura e dinâmicas preferidos para este jogo?
  3. Que jogador ou aspeto do jogo do adversário constitui-se como a maior ameaça para o SL Benfica?
  4. Que jogador terá que fazer acontecer, superar-se a si próprio e embalar a equipa para a vitória?
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